O ambiente geral

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(Este postal refere o artigo do The Guardian “Teresa May was to scared to meet the Greenfeld survivors“).

X é um jornalista que foi muito animador do bloguismo (e logo no tempo em que a sua corporação ainda bramava contra a nova era da palavra pública) e, depois, de outras formas de expressão na internet. Nisso foi, durante anos, um tipo simpaticíssimo comigo, acolhendo e ajudando. Estou muito grato. Fui agora ver o seu mural de FB e descubro que já não estamos ligados (se calhar, surpreendo-me, terei sido eu a cortar, em dia de mau-humor. Se calhar foi ele, por desinteresse). E é por isso que não o nomeio, pois este postal não é ad hominem, não é mesmo ad hominem. Fui lê-lo porque o vejo (é a minha interpretação) como exemplo da palavra internética atreita ao PS, mas sem a pompa do académico-político ou a verve dos assessores, e tive a curiosidade de lhe ver a linha de recepção do acontecido em Pedrógão Grande e arredores. Talvez porque jornalista, concedo, centra-se na crítica (visceral) ao trabalho da imprensa. Mas imediatamente antes do incêndio reproduzira um postal de um prestigiado vulto da academia portuguesa, partilhando o artigo cuja ligação encima este texto, ambos realçando uma mesma parcela do texto. Vou ver a origem da sua partilha, o mural da intelectual portuguesa, e comparo, em ambos os casos, com a forma como analisam o que aqui aconteceu. É a minha, amadora e atomística, forma de procurar o ambiente geral à “esquerda”.

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A República dos Eucaliptos

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No final dos anos 1980s foi o “surto” das celuloses. Eram mecenas apetecidos, patrocinavam actividades. Era um maná, dizia-se. De facto não precisavam de publicidade para nada, era mesmo a criação da boa imagem, da naturalização da eucaliptização. Os da minha geração lembrar-se-ão disso. Para mim foi também foi esclarecimento político radical: era o tempo em que se vendia a ideia de que Portugal não tinha dimensão para ser agrícola, devendo ser silvícola e “de serviços”, e depois aquilo do Sillicon Valley da europa. Eu, tal como algumas pequenas franjas urbanas, ouvira o excelente Ribeiro Telles do PPM, a única voz pública ecologista, e que algo colheu do impacto dos movimentos ecologistas europeus daquela década, apesar do seu perfil diferenciado face a esses. Depois surgira o governante Carlos Pimenta, enérgico. E que veio a ser, convenientemente, enviado para Bruxelas. Nisso eu deixara-me de quaisquer dúvidas sobre o quão abominável era o poder de Cavaco – que viria a acabar anos depois entre Duartes Limas, Nunos Delerues e ainda da missa não sabíamos quase nada, das trocas da “Mariani” ao conselheiro Dias Loureiro passando por aquela cloaca toda – quando o ministro Mira Amaral declarou que os eucaliptos eram o nosso “petróleo verde”. E passara a votar PS.

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Camarada

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(Paulo Gentil; fotografia de Sérgio Santimano)

(18 de Junho, foi há dois anos que morreu o Paulinho, a deixar-nos cá. Então escrevi este texto no ma-schamba. Como está de difícil acesso, só por busca, aqui o recoloco. Maneira de partilhar que dele tenho imensas saudades. Imensíssimas …)

Esta é uma das canções da minha vida. Em tempos recuados também, mas não desde há décadas, por ser um carinhoso cantar desta partilha companheira de um charro, da procurada leveza amigada, isso mesmo que um dia fomos cantar à Aula Magna lisboeta, quando o Sérgio Godinho fora preso no Brasil, ainda os tempos daquela ditadura, por razões de posse de umas gramas de erva. Mas já então, e agora ainda mais, mesmo mesmo nada disso pois muito mais, que a canção subia a hino, como o foi, por dizer isto ” É que hoje fiz um amigo / E coisa mais preciosa no mundo não há (…) / Guardei um amigo / Que é coisa que vale milhões“, e era e é mais do que o suficiente para a fazer este isso tão grande …

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A bola

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Isto da bola é tramado. Sportinguista abomino o Benfica, ainda mais do que o Porto, ainda que este seja óbvio avatar do demo. As vitórias desse Benfica (em especial no futebol sénior) estão todas manchadas pela ilegalidade e pela imoralidade, não há dúvida sobre o assunto, é ôntico. Por vezes a empiria fundamenta o dogma (a escandalosa manipulação do campeonato dos “túneis”), outras vezes o dogma fundamenta a empiria (o golo ilegal de Luisão empurrando Ricardo e dando um campeonato à imoral agremiação).

Dito isto, anda toda a gente a discutir correspondência privada, coisas de dois agentes benfiquistas, que foi pilhada. São biltres, os correspondentes? Têm ar disso. Mas não se lhes pode devassar a correspondência. Isto da bola é tramado. Porque em nome da “Taça” nos faz suspender todos os princípios. De facto “que se f… a Taça!”.