Peçamos as desculpas …

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Não estará na altura de reabilitarmos Miguel Vasconcelos? Considerarmos que foi assassinado por crer no / praticar o “europeísmo” de então, avant la lettre? Pedir, até, “desculpa” à figura e aos seus descendentes? “Não matarás; mas quem assassinar estará sujeito a juízo” (Mateus 5: 21) não era então, desde antes e até agora, o valor dominante na Cristandade (hoje em dia dita Ocidente)?

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O massacre de Bir al-Abed

al rawda

O escabroso ataque à simbólica mesquita Rawda, em Bir al-Abed, com 300 mortos num templo, passa um bocado ao lado das nossas preocupações, por ser “demasiado” longínquo. Mas, mais uma vez como em tantos outros atentados na Ásia e em África, demonstra que o que se passa na actualidade é uma guerra interna ao islão (religiosa: contra modos de ser islâmico; política: contra formas “moderadas” [atenção às aspas] de articular teologia com sociedade). E, também, subsidiariamente, contra os incréus, exógenos. Ou seja, por um lado não se reduz a uma guerra do Islão contra a Cristandade (ou o Ocidente), uma “Crescentada”, como gritam os radicais pró-fascizantes por cá; e por outro lado não é mero fruto da malevolência ocidental (aka, “os americanos”) e da falta de uma política de “integração” social europeia, como s’indignam os bloquistas melenchonistas.

Isto está escrito e reescrito por quem percebe da história do assunto e do presente do assunto. Mas como estes radicalismos, tanto os da dita “direita” como os da dita “esquerda”, sempre vivem da ileitura dos seus tontos apoiantes talvez estas monumentais desgraças possam servir para que alguns deles (poucos, que a maioria é mesmo burra) abram os olhos e percebam algo do mundo em que vivem.

Este Ano É Que É!

moreirense

(O Sporting foi empatar ao campo do Moreirense. O meu comentário no blog sportinguista És a Nossa Fé.)

O Jimmy Hagan, o do “no comments”, foi campeão sem derrotas. E também o Vilas Boas, que agora anda na árvore das patacas. Mas até eles empataram.

A gente tem um bom plantel, “profundo”, como se diz agora; houve belas contratações e bom saldo bancário, e tudo feito no tempo devido; não deixámos sair a torto e a direito, e ficou o Ruiz que devia ficar, que tão bom futebol mostrou no final da época passada, e o Iuri não seguiu lá para a Rússia, que tem muito para nos encantar; o JJ não foi para Paris, como “A Bola” tanto quis, e ainda bem, qu’é meio maluco mas sabe da poda; ganhámos os 6 jogos iniciais, coisa não vista há não sei quanto tempo, e melhor só o bom do grande Marinho Peres, no milénio passado; chegámos-nos (uff!!) à xampions: g’anda jogo em Bucareste e ainda melhor em Atenas; vêm aí os aviões Barça e Juve mas … será que?, se jogarmos como em Madrid o ano passado porque não?, a equipa concentrada, bem rodada, esmifradinha até, se calhar ainda passamos; ou então, paciência, que eles também são gigantes, venha a liga Europa; e troféus são necessários, que andamos à míngua, e há muito, venha a Lucílio e a Nacional (a última foi a do Iordanov, não foi?), e nessas até o filho do Bebeto (do Romário, pá, … não, do Bebeto) joga. Este ano é que é!

Um gajo empata? É a desgraça, “eu bem dizia”, “a mesma merda de sempre”, o plantel é curto, estreito como o campo dos Cónegos, o Jesus afinal é Judas (“sempre me pareceu, o gajo a mim nunca me enganou”), o Doumbia é dúbio, o Bas Dost é pior que o Maniche, o original, o Toscanini é tosco, o Mateus é velho, o Battaglia não ganha guerras, o Gelson já se julga Figo, e o pior de tudo é o Bruno, o César que já não pode, o Carvalho que é uma besta, e o Fernandes que se esconde.

Ontem vi um jogo. Um campo à antiga portuguesa, bom para jogos rasgadinhos, que o foi; o sempiterno professor Manuel Machado, treinador da bola, e a sua equipa, sem nomes mas com cabeça e alma. E um fiscal de linha (o da esquerda do ecrã) daqueles que “um grande é um grande”, que até eu saltei no sofá (que querem?, o Moreirense veste verde e branco, é mais forte que eu) com o fora-de-jogo que lhes inventou, o gatuno (foi a nosso favor? Ok, então foi um erro, é humano, só não erra quem não vai a jogo …). E vi o Sporting, a jogar à bola, não muito bem bem, mas também é assim, a ir até ao chuveirinho, porque era preciso. Mais um jogo neste caminho desta época, o do(s) título(a).

Porque Este Ano É Que É!

O vídeo-árbitro

VAR

 

(Voltei  a escrever no blog sportinguista És a Nossa Fé. Este foi primeiro texto que lá coloquei, há já quinze dias).

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Mau para a economia, como concordarão todos os que postulam a sua melhoria através do crescimento do consumo interno. Pois reduz a procura do amplexo Super Bock/Sagres, e concomitantes petiscos, nas constantes querelas dedicadas aos erros dos gatunos. E periga o sucesso de audiências dos painéis televisivos (e respectivas receitas publicitárias), dedicados ao escalpar dos malévolos xôs árbitos. Pior do que tudo afecta a auto-estima dos nacionais, minorando as temáticas nas quais, maiêuticos e nada sofistas, demonstramos a nossa argúcia analítica e verve argumentativa.

Como é sabido o Poeta Camões, que sempre creu nas nossas possibilidades de dominarmos os rankings FIFA e UEFA, simbolizou os adversários do árbitro-tv naquela figura de “O Velho de Carnide”, conservador, comprazendo-se no seu pequeno e injusto dominium, timorato face a outros modos de ventos, correntes e marés. Pois até este já deve estar contente – certo que há semanas o árbitro-tv impediu um final descansado na nossa peleja com o Estoril. Mas safou-lhe agora a tribo de adoradores, ao descobrir uma (meia) perna marota a impedir um empate com o “primodivisionário” de Portimão e a mostrar a realidade da leve carícia que devastou Salvio, felizmente sem o ter lesionado com a gravidade que cheguei a temer.

E assim, à mera 5ª jornada, já vamos todos mais ou menos contentes com o novo instrumento de mareação.