China e Portugal

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A esperada notícia surge, no meio da “crónica” da visita do presidente chinês, assim como coisa óbvia no meio da assinatura de vários documentos, todos prometendo imensos ganhos para Portugal: o habitual. Que, passando os anos, nunca são escrutinados. Ou seja, lá no meio de tudo Portugal anuncia a vontade de entrar no “comboio” da OBOR (um cinto, uma estrada), a gigantesca operação de construção e dinamização viária que a China prepara para se tornar (ainda mais) central, retornar a “império do meio”. Alguns dos nossos tradicionais aliados não estão tão entusiasmados (os EUA muito renitentes, tal como os britânicos) e a União Europeia tem iniciativa e metodologias diferentes. As preocupações não só com a cristalização de um novo centro político e económico – completamente alheio a valores democráticos, coisa que não é de somenos para todos os que não se restringem ao conteúdo da malga própria -, bem como as considerações sobre este hiper-projecto, pensado sem considerações ecológicas, de equilíbrios políticos, locais, regionais e globais, e postulando indiferença (que será letal, em muitos casos) às questões da governação, são esquecidas?

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A China e o país inibido

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Em 2005 o primeiro-ministro chinês Wen Jiabao visitou Portugal. José Socrates, então recente primeiro-ministro, incentivou o visitante a usar Portugal como intermediário nas crescentes relações sino-“palop”. Na época eu trabalhava na área da “cooperação” (ajuda pública ao desenvolvimento) e muito me chocaram aquelas declarações do ainda relativamente desconhecido Sócrates (não se perspectivava tamanho descalabro),  por razões subjectivas e objectivas.

As subjectivas eram algo óbvias. Qualquer pessoa da minha geração se poderá lembrar o que foi o governo de Macau nos últimos quinze anos de tutela portuguesa. A coabitação entre os governos de Cavaco Silva e as presidências de Soares e Sampaio – sendo a presidência da república a responsável por aquela região – significaram que Macau foi administrado, num período de grande crescimento infraestrutural, pelos quadros socialistas. E foi público que se o PSD (e não só) se conspurcou na gestão da inserção europeia, o PS saiu profundamente lesionado da “coisa macaense”, no afã da “árvore das patacas”. Infecção que levou para os governos de Guterres e que este, criticável político mas homem honrado, deixou transparecer com o rebuço retórico do “pântano” quando se demitiu. Por isso, quando em 2005 Sócrates ofereceu os préstimos do país, e da sua administração, para facilitar a extroversão africana da China tudo indiciava que o PS não fizera qualquer “julgamento ético” (como Augusto Santos Silva reduz agora a avaliação da política) do seu percurso recente. Como se veio a comprovar, tanto pelas más-práticas dos governantes como pelo apoio cúmplice da generalidade dos profissionais da palavra pública, jornalistas e académicos, durante o consulado socratista. E hoje.

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Os tiagos amarelos

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Ontem aconteceu uma enorme “marcha pelo clima” aqui em Bruxelas – não, não se andou a pedir reclicagem de papel ou reconversão dos sacos de plástico, as panaceias dos ecologistas folclóricos. E não, as pessoas não ficam aprisionadas aos ditos dos patetas da igreja do culto do mercado (esses que bolçam, tudo pejando de perdigotos fétidos, que o Mercado é virtuoso e o Estado demoníaco, pelo que qualquer intervenção sobre a iniciativa privada é pecaminosa pois nada desta decorrente ofenderá os desígnios perfeitos da Criação).

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O esgoto estatal

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Um antigo presidente de um clube desportivo é sujeito a um interrogatório, no âmbito de uma investigação ampla, ainda em curso. Depois o Estado (uma sua secção, chamada “ministério público”) entrega as gravações desse interrogatório à televisão estatal e autoriza-a a transmiti-las: aqui, um programa da RTP com excertos das declarações de Bruno de Carvalho, anunciando a sua reprodução como autorizada pelo tal “ministério público”.

Decerto que há um qualquer quadro legal que permite isto, safando os funcionários públicos e fazendo medrar esta mentalidade. Mas isto é inqualificável. O estado do Estado é um descalabro. Uma cloaca a céu aberto, onde engorda esta gente.

Black Friday

Ontem, dia “Black Friday”, apesar de ateu associei-me á festa cristã e fui às compras. Aqui mesmo ao lado, no mercado de rua das sextas-feiras, na Chasseurs Ardennais – (bem ilustrado no Facebook) – dediquei-me à banca dos corsos. De lá saí com um naco de queijo de cabra de Oletta, no valor de 7 euros.

Depois, em registo de consumidor desabrido, caminhei até à “Casa Portuguesa“, onde sou visita habitual,  onde adquiri uma garrafa de Cabriz tinto, adornado com dístico anunciando (na língua estrangeira) “Best of Value Wines, Robert Parker 2017” e “Top 100 Wine Spectator 2016”: 6 euros e 20 cêntimos.

Ok, vão lá ser felizes para as Wortens.

Students Across Europe Excoriate World Leaders for Hiding Scientific Reality of Pending ‘Global Collapse’

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Fonte: Students Across Europe Excoriate World Leaders for Hiding Scientific Reality of Pending ‘Global Collapse’

Sempre leio intelectuais/professores avessos à superficialidade inculta das novas gerações, alienadas nas “redes sociais”. E depois encontra-se isto: em Bruxelas alunos das Escolas Europeias (grosso modo filhos de quadros dos organismos multilaterais e bilaterais na sede da UE) movimentam-se contra a censura (silêncio e modorra) das instituições internacionais sobre o Aquecimento Global. Já chegaram ao gabinete de Guterres, onde colheram elípticas respostas (uma primeira lição sobre o que é o pessoal político, direi eu). Ao lê-los percebe-se: não são neo-hippies, não discutem o “género dos anjos”, estão melhor informados e são mais reflexivos do que a geração dos pais. E escrevem melhor!

Estão num processo de “stand up for your right”, o de herdarem um meio ambiente decente, não totalmente devastado pela nosso afã de consumo (e de boas reformas). A dizer-nos “sejam responsáveis, portem-se bem”, aquilo que tanto gostamos de lhes dizer mas que não cumprimos.

No dia 20, dia internacional dos direitos das crianças, manifestar-se-ão no centro administrativo, face ao célebre Berlaymont. Contra esta censura sobre os verdadeiros dados ambientais que as instituições internacionais vão manipulando para evitar alaridos populares. Será, independentemente da dimensão quantitativa (cada um deles vale muito mais do que vários de nós, gulosos vorazes mais-velhos) que conseguirem mobilizar, muito bonito de saber. E ver, se possível.

Bolsonaro e o Clima

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Bolsonaro apresentou o seu ministro dos Negócios Estrangeiros, Ernesto Araújo, assim mais explicitando o seu enquadramento ideológico. Para o novo ministro as questões ecológicas, e a preocupação com o mais que provável processo de alterações climáticas, são reduzidas a uma ideologia (“climatismo”), fruto de um “marxismo cultural” cujo objectivo é transferir o poder económico do ocidente para a China (ler este seu texto de blog do mês passado). Ou seja, os “inimigos internos” já não são os comunistas, esses que serviam para tudo justificar em décadas passadas, são os “pró-chineses”, avençados dos neo-Ming que por lá mandam. É este o novo poder do Brasil do Amazonas.

Antes das eleições o projecto político-económico fora explicitado pelo candidato Bolsonaro: incrementar a utilização da floresta (entenda-se, o desmatar). Em concordância com interesses terratenentes nacionais e industriais internacionais. O projecto político-ideológico? Explicita este Ernesto Araújo, a luta contra o tal “marxismo cultural”, esse “sistema anti-humano e anti-cristão. A fé em Cristo significa, hoje, lutar contra o globalismo, cujo objetivo último é romper a conexão entre Deus e o homem, tornado o homem escravo e Deus irrelevante. O projeto metapolítico significa, essencialmente, abrir-se para a presença de Deus na política e na história.”. Isto no âmbito de um “ocidentalismo” (às três pancadas), de uma superficialidade pungente ainda que glosando Heidegger (um resumo respeitoso da verve de Araújo está aqui), enquanto se alimenta de Spengler. É este o estado a que aquilo chegou. Com impactos ambientais que serão terríveis, articulados com a política americana nesta matéria, em que Trump canta a mesma boçal melodia (após Obama, que trauteava diferente mas pouco ou nada fez de relevante sobre as questões ecológicas).

Há mesmo um “marxismo cultural”, na pobre definição do agora ministro. Um neomarxismo, comunitarista, que coloca no centro da discussão pública o “género dos anjos”, um identitarismo que se tornou uma verdadeira “maré negra” na discussão política. O processo eleitoral que catapultou Bolsonaro é mostra dessa poluição: as suas ligações agro-industriais mal eram afloradas, os seus propósitos ecológicos ignorados. As (ineficazes) acusações que contavam para a oposição eram o seu machismo (e ele não legislará contra as mulheres) ou o seu racismo (e ele não legislará sobre raças). De facto, o que essas suas diatribes anunciavam era a recusa de políticas estatais de discriminação positiva, e foi isso que se tornou a questão central, devido aos grupos corporativos a elas ligadas, quando se tratam de meros epifenómenos.

Esvaizamento do debate que se mostrou nas acusações de racismo (que com toda a certeza correspondem aos seus preconceitos): vi ene vezes partilhadas declarações do candidato sobre a sua visita a um quilombo (habitado por negros). Disse o homem que lá só encontrou “gordos”, que o mais magro ia tão obeso “que nem para cobridor servia”.  As pessoas ficam agarradas à linguagem provocatória, e perdem o fundamental, caem na esparrela: pois o relevante não é que os “negros” sejam isto ou aquilo (“gordos”, “preguiçosos”). O relevante é a oposição à demarcação de terra (protecção ecológica por via de fundamentações histórico-culturais) e o radical confronto com políticas assistencialistas. Mas, claro, a omnipresente questão do “género (e raça) dos anjos”, imposta pelo neomarxismo, venda os olhares sobre as dimensões relevantes deste rumo, no Brasil e alhures. Neste caso, a ecologia, e a protecção desenfreada à agro-indústria.

Uma questão paroquial (porque o relevante é o impacto ecológico das políticas de Brasília): leio gente integrante deste novo partido (um partido-birra, de facto) de Santana Lopes a defender Bolsonaro. Leio membros e adeptos do CDS a defender Bolsonaro. Não leio ninguém do partido-Ventura porque presumo que não consigam escrever, mas também se deliciarão com estas bolsonarices. Alguns deles gozam com os “moderados”, os não-esquerdistas que não aderem a este bolsonarismo, como se em frémitos anais os gritassem emasculados. Isto levanta uma questão até porque, como aflorei acima, não vivemos na Guerra Fria, onde as piores tropelias eram justificadas pelo omnipresente comunismo. Como se relacionam, como simpatizam, estes quadros (intelectuais, pois vivem da escrita, como funcionários ou da comunicação social) com este trogloditismo intelectual? O que resta da herança filosófica liberal nestes putativos liberais, onde pára o esqueleto da democracia-cristã, diante desta trapalhada bolçada? Onde reside o pensamento ecológico, estruturante do conservadorismo (nacionalista) europeu, romântico ou deste sucessor ? Em lado nenhum, parece, pois os tais frémitos anais destes santanistas, perdão, santanettes e dos assunções, só aceleram mesmo face a este boçalismo.

Bruno: algo está podre na república

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Quem me vê a blogar no És a Nossa Fé poderá confirmar: botei que me fartei (literalmente) a favor de Bruno de Carvalho. E depois botei que me fartei contra Bruno de Carvalho – porque o homem “se passou”, porque mostrou uma horrível concepção de exercício do poder associativo, porque eu terei aberto a pestana. Dito isto: é totalmente inadmissível que um homem – por suspeitas de participação num crime acontecido há seis meses, entretanto desprovido dos meios institucionais que facilitariam a reprodução de actividades similares, e publicamente disponível para depor – seja detido num dia para prestar declarações, interrogado apenas duas dias e meio depois e liberto quatro dias após a sua detenção. Alguma coisa está errada, algo está podre na república.

E não, a lei não serve para justificar isto. Os funcionários públicos, juristas e polícias, não podem configurar assim as suas práticas. Isto é uma vergonha, um ocaso. Antes um Mustafa que um polícia ou um jurista deste tipo. Vou repetir: antes um Mustafa que um polícia ou um jurista deste tipo.

Três coisas a propósito do Bruno

 

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(Postal para o És a Nossa Fé)

“Isto” do sentir pelo o clube não se pode (não se deve) apartar do que se sente, pensa, sobre a sociedade. Por mais que os radicais clubistas queiram separar as coisas, sacralizando o clubismo. Por isso deixo aqui três sensações:

1. Os prazos de prisão preventiva em Portugal são muito longos, e em muitos países parceiros, que partilham valores e modelos organizativos, eles são bem mais pequenos. Mas é a lei que temos e assim “dura lex, sed lex“. Mas outra coisa, completamente diferente, é deter alguém – que nem sequer denota risco de fuga – num domingo para o interrogar numa quarta-feira. Isto não é a tal “dura lei”, é uma aleivosia cometida a coberto da lei. Estamos, muitos dos sportinguistas, desiludidos e ofendidos com Bruno de Carvalho. Mas uma coisa, justa, é o desejo que haja investigação, e julgamento se necessário, outra coisa, vil, é aceitar isto, o abjecto revanchismo.

O Estado não pode fazer isto aos cidadãos (ao Bruno, ao cadastrado dito Mustafa, a este bloguista jpt, a qualquer sportinguista ou seja a quem for). E se tem uma greve dos seus funcionários agendada não detém deste modo alguém que não vai fugir e que é suspeito num caso que se investiga há seis meses. Os funcionários públicos trabalham para nos servir. E não para nos tratar desta maneira.

É uma pena que não haja uma “dura lex” que permita despedir o responsável por esta investigação.  Porque não tem competência democrática para trabalhar naquela área.

2. É cada vez mais óbvio o que logo no “dia de Alcochete” para muitos óbvio foi: o ataque aos jogadores, na sequência de uma série de invectivas públicas do presidente e de actos ameaçadores da claque que dele tão íntima era, derivou das atitudes de Bruno de Carvalho. Se mandante directo, se responsável moral devido ao clima criado e à importância dada aos seus sequazes, isso já será motivo da investigação em curso.

Na sequência disso vários jogadores rescindiram os contratos de trabalho. As ameaças públicas continuaram. Depois, alguns decidiram voltar. Outros terão contribuído para que houvesse uma negociação das suas licenças desportivas. Outros exigiram aumentos para regressar (“para vos aturar quero mais dinheiro”). Outros seguiram para novos clubes e até intentaram pedidos de indemnização, nisso sedimentando os processos admnistrativos de rescisão. A todos estes, em diferentes momentos segundo o processo de cada um, imensos sportinguistas, associados, adeptos, colaboradores de imprensa, comentadores nos blogs, bloguistas e activistas de redes sociais, chamaram “traidores”, “desertores”, “refractários”, etc.

Note-se bem: o presidente da associação para a qual eles trabalhavam induz uma invasão violenta e o espancamento de alguns. Esse presidente é popular entre os adeptos, (eleito com 86 por cento nas últimas e concorridas eleições; sufragado por 90 por cento na última e concorrida assembleia-geral). Ou seja, representa formal e informalmente o “universo Sporting”. Os jogadores são agredidos, depois continuadamente ameaçados – lembram-se da “espera” à porta do Bruno Fernandes? lembram-se da enxurrada de insultos nos murais do Rafael Leão, por exemplos? Os jogadores decidem partir e são aviltados desta forma. Mesmo os que decidiram voltar são cutucados (leia-se a reacção até mesmo ao regresso de Bruno Fernandes, os vis clubistas reclamando por ele ser “capitão”). O azedume com Rui Patrício, etc. Veja-se o caso de Rafael Leão – segundo li ele vivia na academia, não posso afiançar: Ou seja, viu os seus colegas e o seu técnico agredidos, o “campus” onde residia invadido, tudo com conivência da estrutura do clube. Rescindiu e foi insultado de modo avassalador, perseguido na internet. O que dizem os sportinguistas? Que ele não tem razão para sair …

Deixemo-nos de coisas, diante do acontecido e face ao gigantesco apoio que o “universo Sporting” (este modesto jpt incluído) deu ao responsável moral (e talvez mais do que isso) os jogadores tiveram e têm todo o direito (moral, jurídico dirão os tribunais) de pedir rescisão, decidir voltar, exigir mais dinheiro para voltar ou nem sequer olhar para trás. E quem continua a chamar-lhes ‘desertores”, “refractários”, “traidores” comporta-se, após tudo isto, com a mesma imoralidade e insensibilidade dos míseros claqueiros invasores.

Tudo isto prejudica o Sporting? Sim. Mas não foram Rafael Leão ou Ruben Ribeiro que prejudicaram o Sporting. Foi o “universo Sporting”. Foi este o “relapso” ao pensamento, “refractário” à razão, “desertor” da ética, “traidor” ao “Sporting”, essa alma do Sporting Clube de Portugal. E a continuidade dos insultos, dos dichotes, do azedume face aos jogadores mostra bem como nem isso se assume.

3. Este claquismo, o viço do holigão insensível e anti-democrata que vive dentro de cada um, estuporadamente irracional e incapaz de olhar crítico, notou-se bem nos dias do Arsenal-Sporting. Esta direcção (vénia) cortou apoios às claques, que permitiam a remuneração avantajada das suas chefias, consabidamente ligadas à economia informal e, quiçá, criminal. Estas, de relações tensas (ou cortadas) com a direcção, organizaram uma surpreendente comitiva a Londres. Surpreendente pela sua dimensão (e organização cénica) e predisposição positiva, dado que se esperará tamanha adesão e fervor optimista em momentos de “cavalgadas” vitoriosas e não de relativa crise como a vivida – demissão de treinador, futebol dito medíocre, derrotas com equipas de menor dimensão e a caseira com o Arsenal. Isto não é, historicamente, o contexto habitual, indutor, de uma exaltante deslocação em massa ao estrangeiro das claques – nem sequer em Portugal o será. O que ali aconteceu foi óbvio: uma manobra estratégica, a querer realçar a importância das claques do clube, a querer salvaguardar o seu espaço, reclamar a continuidade dos apoios.

Reacção do sportinguista comum? Mesmo depois de Alcochete e do pós-Alcochete? “Ah, que boa prestação das claques”, “que bonito”, “até a imprensa estrangeira saudou”, etc.

Seis meses depois de Alcochete? Malandro do (pai do) Rafael Leão, que se lixe o Ruben Ribeiro, Rui Patrício nunca mais, como é que o Bruno Fernandes é capitão (e não está a jogar nada), sacana do Gelson, etc. E as claques estiveram muito bem em Londres …

A isto chama-se ser “refractário” à razão. E “desertor” da ética.

Varandas, com seus defeitos e virtudes, irá sofrer muito com este “universo”. A não ser que se ganhe na bola.

Uma entrevista de Vitorino Nemésio

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O meu amigo Luís Alvarães acaba de partilhar estas declarações de Vitorino Nemésio, proferidas na época em que se prepara a sua nomeação para director de O Século, algo que acabou por abortar, talvez também por causa dessa mesma entrevista.

Hoje impera a informação. Informação moderna, caminhando mesmo no sentido da informática, ciência que, a partir da termodinâmica, abarcou o próprio boato como objecto. É uma informação quantificada.” (Vitorino Nemésio, entrevista à revista Flama, 1973).

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