Ventania

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A ventania que remodelou o governo PS é muito mau sinal. Com o PSD igual ao Sporting pós-Alcochete, Cristas encantada com o pseudo-sucesso lisboeta e o CDS incapaz de por Mesquita Nunes onde já devia estar, o BE roblesado e o PCP no respeitável mas doloroso e inimputável estado mental em que tantos dos nossos queridos mais-velhos vão ficando, o vice de Sócrates reforça-se bem. A senhora da Cultura é competente (também quem lá estava era péssimo, fácil de substituir). E Cravinho é muito bom, cumpriu bem como presidente da cooperação e foi excelente como secretário de estado. Está na óbvia rota para futuro MNE. E o Matos Fernandes, tão resguardado que nunca chamuscado nos terríveis fogos e nas coisas do petróleo, vai-se alargando. “Marquem as minhas palavras”, querem alguém do Porto no poder?, esperem-pouco e olhem para ali.

Contornar estes baixios vai ser muito difícil. Mas, como em tempos se disse, navegar é preciso, viver (a vida videirinha, funcionária/avençada) não é preciso …

P.S. A nomeação daquele João Galamba, inferior personagem associada à contra-informação prostituída do bloguismo socrático e à bestialização do discurso político – “Parece que há imensa gente que não sabe que a Moody’s colocou Portugal no lixo quando o primeiro-ministro era Passos Coelho, não Sócrates.” era o que lhe ocorria dizer na antevéspera da sua contratação para o governo, fiel àquele ladrão de quem foi e é criatura – mostra bem que este governo é uma sequela do socratismo, pejado de gente que participou activamente (no governo e não só) na criminalização do Estado. E que está tão seguro da próxima vitória que nem esconde essa filiação, nisso alçando Galamba.

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Dentinho

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Conheci o Paulo Dentinho quando recém-chegados a Maputo, e logo ficámos amigos. Éramos jovens, ele recém-pai eu ainda não, ambos fascinados com o país magnífico, tão interessante e esperançoso, embrenhadíssimos no trabalho, ele correspondente da rtp e eu adido cultural, nisso muito cruzando opiniões e informações sobre o quanto se nos deparava, num constante convívio. Chegámos a viajar juntos no país, quando ele dinamizou a visita de um grupo de artistas encabeçados por Júlio Resende, uma magnífica aventura, e dor de cabeça logística na Ilha de Moçambique de então. Por vezes discordávamos sobre o seu trabalho (ele sempre teve a piedade de não criticar o meu), eu já armado (em) comendador a requerer-lhe uma espécie de “posição de Estado” dada a visibilidade da RTP(África) no país. E ele com uma perspectiva diferente – lembro-me de lhe contestar uma reportagem sobre os habitantes do jardim zoológico da Beira, gente que vivia no local e até nas jaulas, por causa da má recepção que havia tido em Maputo, as pessoas tinham-se sentido aviltadas. O Paulo dizia o contrário, e é evidente que tinha razão, pois tanto a vocação como a deontologia jornalísticas convocavam a reportagem, tão denotativa era aquela situação e não seria a “má impressão” que a RTP poderia colher que o iria fazer suspender o trabalho.

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Os pirilampos

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Há alguns dias uma consóror bloguista enviou-me esta palestra muito interessante, longa mas bem animada, com sageza e humor. Forma de olhar um Brasil(eiro) relevante, neste dia, nesta era, tão peculiares. Nada tendo a ver aproveito para deixar duas impressões, uma sobre o PSD (partido ao qual me liga nele ter votado em 1999) e outra sobre o não-PSD.

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A propósito de Bolsonaro

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Mais dois textos péssimos sobre Bolsonaro, o “Quem tem medo de Bolsonaro” no “Público” e o “#VocêsTambémNão” no “Observador”. Ambos higienizam Bolsonaro, até dulcificando-o. O primeiro é mais simples, criticando as deputadas portuguesas por protestarem com o candidato fascista brasileiro mas sem se oporem a Maduro, o títere venezuelano, o que lhes ilegitimará a “virtude” denunciatória. Sim, tem alguma razão, e vários factores justificam a nossa atenção na Venezuela – o respeito pelos princípios democráticos logo à cabeça, a grande comunidade emigrada e lusodescendente, o facto de ser um enorme produtor de petróleo e, claro, a rábula do “Magalhães”, mais um item da tramóia socratista que até hoje assombra o nosso país.

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Aznavour e o rap

Ainda há dias me surpreendi ao ver um cartaz (dos muitos espalhados na cidade) anunciando um seu concerto aqui durante Outubro – um Matusalem em palco. Morreu agora. Cantou viveu até aos 94. Grande vida. E, como aqui se vê, sempre pronto para a crista da onda …

A luso bolsonarofilia

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Vejo agora este texto de Pedro Borges de Lemos, no “Público”. É um monumental exemplo da pequenez. O argumento é simples: umas deputadas irritantes (e são-no) portuguesas estão contra Bolsonaro, pelo que são estalinistas a quererem impedir a liberdade. E há que valorizar Bolsonaro, até porque Lula é corrupto (já agora, Collor também e não é de “esquerda”) e Maduro é mau (e é) e elas não se mexem por causa disso (e não mexem, até por causa do Magalhães). Para este homem (e para a sua triste divulgadora) nada mais existe do que marcar distância às deputadas lisboetas. O Brasil e o mundo pouco lhes importa, só o seu joguinho de trastes que são. Bolsonaro é um tipo que diz defender a tortura, que apela ao fuzilamento (para aí de uns 30000, para começar presumo eu), que anuncia uma “reforma agrária” retirando a terra aos ameríndios – o que significa também custos ecológicos catastróficos -, que no parlamento elogia um chefe executivo da ditadura militar, etc. Mas para este Borges de Lemos, mais para as Ferreiras, a única coisa relevante é se gostam ou não da (insuportável) Isabel Moreira, da fraudulenta Apolinário ou da criminosa actual ministra do mar (nomeou a sócia, violou a lei, cometeu um crime, é criminosa, apesar dos Leitão Marques, Vieira da Silva, Santos Silva e quejandos continuarem a não fazer “julgamentos éticos”). Isto seria de uma pequenez patética se não fosse mesmo execrável. E têm voz.

E um tipo nem os pode insultar, que a minha família zanga-se. Mas também para tal nem é preciso usar palavrões: basta dizer “és um borgesdelemos”. É pior do que os velhos termos. E não ofende os ouvidos mais delicados …

Brel

Desde os anos 60s que a electricidade na música e a anglofonia nos perverteu as orelhas e seus interiores. Por isso encontrar um velho da minha idade e, menos ainda, alguém mais novo que se lembre que o belga Brel foi um génio, até bem maior que os beatles /stones magníficos que lhe sucederam, e que foi muito, muitíssimo mais rapper do que estes boçais, apenas pretos, que o vão sendo agora, encontrar alguém um velho que disso se lembre, digo eu, é tão difícil … Por isso vão lá ouvir os Santos e as Varelas. Que nunca chegarão aqui. Nem o querem, por desconhecerem.

Nos amitiés sont en partance
De chrysanthèmes en chrysanthèmes
La mort potence nos dulcinées
De chrysanthèmes en chrysanthèmes
Les autres fleurs font ce qu’elles peuvent
De chrysanthèmes en chrysanthèmes
Les hommes pleurent les femmes pleuvent

J’arrive j’arrive
Mais qu’est-ce que j’aurais bien aimé
Encore une fois traîner mes os
Jusqu’au soleil jusqu’à l’été
Jusqu’à demain jusqu’au printemps
J’arrive, j’arrive
Mais qu’est-ce que j’aurais bien aimé
Encore une fois voir si le fleuve
Est encore fleuve voir si le port
Est encore port m’y voir encore
J’arrive j’arrive
Mais pourquoi moi pourquoi maintenant
Pourquoi déjà et où aller
J’arrive bien sûr, j’arrive
N’ai-je jamais rien fait d’autre qu’arriver

De chrysanthèmes en chrysanthèmes
A chaque fois plus solitaire
De chrysanthèmes en chrysanthèmes
A chaque fois surnuméraire
J’arrive j’arrive
Mais qu’est-ce que j’aurais bien aimé
Encore une fois prendre un amour
Comme on prend le train pour plus être seul
Pour être ailleurs pour être bien
J’arrive j’arrive
Mais qu’est-ce que j’aurais bien aimé
Encore une fois remplir d’étoiles
Un corps qui tremble et tomber mort
Brûlé d’amour le cœur en cendres
J’arrive j’arrive
C’est même pas toi qui est en avance
C’est déjà moi qui suis en retard
J’arrive, bien sûr j’arrive
N’ai-je jamais rien fait d’autre qu’arriver

 

O sentido de estado (2)

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Quando Soares convocou Cavaco Silva para se demitir da presidência gritaste-lhe que lhe faltava “sentido de estado”? Quando se candidatou, candidato abrasivo que sempre foi, ao Parlamento Europeu ou a uma nova presidência, atiraste-lhe que lhe faltava “sentido de estado”? E agora, quando o tão “cool”, tão nosso, Obama ataca o seu presidente Trump, resmungas que lhe falta “sentido de estado”?

Fernando Pessoa bancário

Caixautomatica-Electron_480x380Acabo de receber o meu novo cartão multibanco da CGD. E dou com isto (colho a imagem no sítio do banco): Pessoa – que também fez uns “ganchos” como pregoeiro, a gente sabe -, apropriado como imagem do banco público (ainda que escavacado como se privado fosse pela gente de Sócrates). E ali espetado, rapinado, o seu “tenho em mim todos os sonhos do mundo” – e como tal deixa-me ir ali ao ATM levantar uns cobres, não é? É a mentalidade destes primatas. Clientes.

Depois os “tudólogos” peroram sobre o sim ou não e a quem sim ou não do Panteão Nacional.

Um filme sobre “Mais Um Dia de Vida”

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Só agora vejo notícia, velha de meses, da realização um filme de animação, já apresentado em Cannes, sobre o livro que Kapuscinski escreveu com base nas suas reportagens na independência de Angola. O homem é um ícone do jornalismo, do grande repórter, “escreve bem” mas não me anima. Ainda assim este “Mais Um Dia de Vida” é muito interessante para olharmos esse período (e o olhar militante) – e é bem melhor do que o célebre “Ébano” (The Shadow of the Sun), que lembro carregadinho de lugares comuns.

Não sei se a edição portuguesa, tardia (2013), traz o posfácio de cerca de 2000 que o meu exemplar inglês traz. O qual mostra bem que o viés ficou empedernido, o autor vive com um torcicolo estrutural. Mas enfim o livro é interessante e o filme, animação ainda por cima, é para ser visto. O autor? Um dia meti-me a fazer uma recensão in-blog sobre este livro. Acabei-a assim: “Kapucinski é zarolho? É! Mas um belíssimo zarolho …”

(Deixo ligação para esse meu texto sobre esse “Mais Um Dia de Vida”, a reportagem dos dias da independência angolana).