A propósito do livro do José Cabral

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A propósito do livro “Moçambique” do José Cabral (aqui uma cópia minha de uma fotografia dele, a sua “ilha de Moçambique” – ou, como fotografar o msiro sem ponta de exotismo …) botei este texto (basta clicar em “este texto”) na minha conta da rede academia.edu.

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Moçambique, de José Cabral

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Hoje é a apresentação de “Moçambique”, o livro do fotógrafo moçambicano José Cabral (edição conjunta XYZ Books (Lisboa) / Associação Kulungwana (Maputo). Cerca de 150 fotografias, a maioria, como é costume no Cabral, no preto-e-branco mas também com uma incursão nas coloridas. O livro tem dois textos, enquadrando a “coisa”, um de Alexandre Pomar, que organizou a publicação, e outro de Drew Thompson, americano especialista na história da fotografia moçambicana. Hoje, dia da festa por causa do livro, o preço será de 20 euros, uma verdadeira pechincha para uma peça destas. A tal festa acontecerá no “Irreal”, Rua do Poço dos Negros, 59, em Lisboa, naquela hora das 19.

O Zé Cabral é um entroncamento na fotografia de Moçambique. Quem desta conhece algo sempre refere os mais-velhos, icónicos, pelas fotos e por eles próprios, tipos sui generis (passe a aparente contradição), ambos “maiores do que a vida”, Ricardo Rangel e Kok Nam, grandes fotorepórteres, que narraram e construíram a história do país, e que marcaram as gerações seguintes dos fotógrafos por lá. O Cabral vem a seguir, porque é mais novo, entenda-se, sui generis também, pois “mais complexo do que a vida”, e escapou-se à reportagem, pouco ou nada atreito à disciplina da imagem correcta para ilustrar o discurso correcto, requerido por quem a podia requerer. E assim se pôs a construir o seu mundo, num carinho sulfuroso. Foram estes seus passos que mostraram no país outra forma de falar com a câmara, essa que veio a impregnar os fotógrafos mais novos, que se têm agora tornado conhecidos: Felix Mula, Mauro Pinto, Mário Macilau, Filipe Branquinho.

Há alguns anos Alexandre Pomar escreveu o texto para o catálogo da exposição “Anjos Urbanos” e apanhou bem o Cabral.

Até logo?

O livro do Delito de Opinião

DO

Projecto livro Delito de Opinião (clicar no nome do blog/livro para aceder).

Eu escrevo no blog colectivo “Delito de Opinião“, existente desde 2009, sempre coordenado pelo bom do Pedro Correia. Agora a equipa fez uma selecção de textos, de 17 dos bloguistas participantes ao longo desta quase década. E encetou o projecto de a editar em formato de livro. Ainda que vários dos bloguistas residentes sejam autores publicados, para este livro optou-se pela modalidade da subscrição prévia (dita “crowdfunding” pelos menos ágeis em português), através da editora “Bookbuilders” (que se poderia chamar “Construtora de Livros” ou similar, que teria muito mais piada, mas enfim …).

O esquema é simples: acede-se através deste elo (“link” para os menos versáteis no português) [Projecto livro Delito de Opinião] e subscreve-se o livro, pelo preço de 12,5 euros. Este será produzido mal obtenha 160 interessados – assim evitando-se os monos e o seu guilhotinar. E também se evitam os resmungos com as opções das livrarias – pois cada um dos subscritores receberá o(s) seu(s) exemplares em casa.

Aqui fica o pedido para que se associem a esta subscrição. O processo começou esta semana e faltam ainda 138 interessados, algo mais do que possível dado o universo de leitores do blog. Mas, mais do que tudo, para que leiam esta década de constante “Delito de Opinião”. Uma década muito interessante, começada ainda na era blogal e que, no caso deste blog, resistiu ao êxodo radical para as mais frenéticas “redes sociais” (twitter e, fundamentalmente, facebook).

Um outro ponto, mais abrangente: esta é também uma forma de nos habituarmos a pensar em outras formas de publicar livros, nesta era de aparente degenerescência funcional e intelectual do sistema de produção livreira.