Cristiano Ronaldo

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[Cristiano Ronaldo agradecendo os aplausos dos adeptos da Juventus após o (2º) golo marcado em Turim]

À saída de Nelspruit não paro nos semáforos desligados, que quando assim funcionam como sinal de “stop”, pois nenhum carro se avistava no cruzamento. E logo dois policias saltam à estrada, mandando-me parar. “Estou tramado!”, resmungo, antevendo os rands da multa e o atraso na viagem. Desculpo-me, explico-me, eles impávidos. Claro que viram a matrícula moçambicana, e tão habituados estão ao tráfego inter-fronteira, mas perguntam-me para onde vamos (“Maputo“, respondo), de onde somos (“portugueses“, digo-lhes), se viemos às compras. Que não, esmiúço, em busca de hipotética solidariedade, que ali vim para trazer a miúda ao (orto)dentista, a Carolina a comprová-lo no banco traseiro, com o aparelho dentário tão brilhante, acabado de calibrar na visita mensal. Um deles (suazi? tsonga? sotho?, não lhes consigo destrinçar a origem), inclina-se sobre a minha janela, quase enfiando a cabeça no carro e pergunta “how are you, sissi (maninha)?” e assim percebo que não pagarei multa. Depois diz-me “se você é português vou-lhe fazer uma pergunta” e eu logo que sim, dando-lhe um sorriso prestável, antevendo uma qualquer dúvida sobre ares ou gentes de Moçambique. Mas afinal “Qual é o melhor, Ronaldo ou Messi?“. Eu rio-me, num “Ah, meu amigo, são ambos excepcionais, diferentes mas excepcionais“, enfatizo, mas ele insiste, “mas qual é o melhor?“. “Ok“, e enceno-me, olhando à volta, “só vocês é que me ouvem, assim posso falar, sou português mas o maior é Messi“, e estou a idolatrar o jongleur, o driblador dono da bola, alegria do povo, nós-todos miúdos de rua. “Não, você está errado” riposta ele (ndebele? zulu? khosa?, não lhe consigo destrinçar a origem), “Ronaldo é o melhor. Messi nasceu assim, Ronaldo é trabalho, muito trabalho!“. Ri-se, riem-se, rimo-nos, e conclui num “podem ir“. Avanço pela N4 e sorrio a este afinal meu espelho, apatetado europeu (armado em) intelectual com prosápias desenvolvimentistas, a levar uma lição de ética de trabalho de uma pequena autoridade (formal) africana.

 
(Fica a historieta para os que acham mal resmungar com os patrícios que, sistematicamente, apoucam o labor do maior atleta em actividade. Talvez nisso ombreando com Federer, mas muito mais célebre).
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Viktoria Plzen-Sporting

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(Postal para o És a Nossa Fé)

Apesar da transmissão ser em canal aberto, fui ver o jogo a casa do meu bom amigo Bill, um já hábito nos grandes jogos do Sporting. O jogo era cedo, às 18 horas, cheguei meia hora antes. “Que é que queres beber?“, “nada, nada, estou bem …”. “Um gin, um vodka?” insistiu ele (àquela hora ainda é cedo para o uísque), “não, não quero nada, obrigado“. “Então?, que se passa?!“, “nada, estou bem, bebo um copo de água“. “Olha, vou beber uma jola” disse-me ele, a baixar a parada. “Não obrigado, estou bem. Estou a guiar, pá, vim de carro, não vou começar a beber já, é melhor estar quieto“.

Começa a partida, nela a hipótese da passagem aos quartos-de-final, o ânimo para o final da época, o reforço para a conquista da Taça, quem sabe se ainda para o tão possível segundo lugar no campeonato (a ida à Champions, claro). E, até, a quase-miragem da conquista desta Liga Europa. Eu ali, Água do Luso (a melhor do mundo, insisto) e uns deliciosos pinhões e também amendoas. O dono da casa numa(s) cervejinha(s).

Intervalo. “Então, não bebes nada?” levanta-se ele. “Hé pá, faz-me um café (que estou para aqui a dormir)”.

Raios partam isto.

O governo está a dormir

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O governo está a dormir. Googlei e vi que tem um tipo chamado João Paulo Rebelo (secretário de estado da juventude e do desporto) que depende do ministro da educação (googlei e vi que se chama Tiago Brandão Rodrigues). Ambos dormem, e ressonam.

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O director do Correio da Manhã sobre Gelson

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(Um postal para o És a Nossa Fé)

No “Record” Octávio Ribeiro, director do “Correio da Manhã”, escreve um texto execrável sobre Gelson. Ou melhor, a propósito de Gelson, pois, de facto, utiliza a situação protagonizada pelo jogador para dissertar, em modo totalmente populista, com requebros de análise sociológica verdadeiramente retirada de uma cloaca mental, de ignorante que é, sobre a escola pública, seus agentes, sobre a sociedade. E, já agora, secundariamente também sobre o Sporting.

É importante lembrar que quando se fazem críticas radicais a comunicação social logo surgem coros (como surgiram há tão pouco tempo, aquando das recentes declarações do presidente sportinguista) que as dizem inadmissíveis, pois anti-democráticas, adversas à liberdade de informação. E outros “contextualizam” (no sentido de “des-culpam”) os constantes desatinos, atribuindo-os às difíceis condições de trabalho, ainda mais nesta era de grandes transformações no mundo da imprensa. E sempre nos recordam a existência de excelência no jornalismo, como se essa fosse capote para a indecência que grassa.

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Gelson

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(Postal colocado ontem no És a Nossa Fé)

Fico francamente estupefacto face à onda de simpatia, qual compreensão, para com o acto do Gelson Martins ontem em Alvalade. Por duas razões. A primeira, mais rasteira, isto da bola e dos hipotéticos triunfos: o jogador já tem 22 anos, cumpre a terceira época na equipa principal, na qual decerto que sabe ser figura fundamental, é internacional A, e é um profissional bastante bem pago, ainda que possa aspirar a novos e “arábicos” contratos, desses que animam a cena futebolística actual. Ou seja, é já experiente e exige-se-lhe responsabilidade. Presume-se ainda que tenha alguma compreensão do que o que o rodeia e espera: diz-se que Garrincha quando se sagrou campeão do mundo no Suécia-58 não sabia que o campeonato tinha acabado, denotando a bruma (genial, mas obscura) em que dirimia o seu inesquecível talento. Mas espero que Gelson, para seu bem, extra-futebol até, não seja epígono dessa abstracção existencial. E que assim saiba, pelo menos, o “jogo” que a vida lhe prepara, o “calendário” que aí vem. Pelo menos o a curto prazo, que, de facto, é o máximo que podemos antever com alguma razoabilidade. Em suma, que soubesse que a próxima jornada é fundamental para as aspirações do clube que o formou, acarinhou e lhe paga. Fazer-se expulso, isentar-se desse compromisso, é totalmente inaceitável. Mimar um jogador querido, “da casa”, competente, ainda para mais jongleur, assim alegria do povo? Sim, com toda a certeza. Mas aceitar isto que aconteceu, “compreendê-lo”, é estragá-lo com mimos. Gelson está em dívida.

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Porque não te calas?

(Postal para o És a Nossa Fé)

O enorme mundial de 1982 acabou com o Itália-Alemanha. Foi o melhor mundial que me lembro, o magnífico Brasil e o “menino d’oiro” italiano acima de tudo. Mas a final ficou-me na memória também por isto, o velho (então velhíssimo para mim, nos seus 86 anos) presidente italiano, Sandro Pertini, exultante na tribuna de honra, ao lado do chanceler alemão e dos reis espanhóis, entre outros (no filme a partir de cerca do minuto e vinte segundos). E com a belíssima cena, que não se vê, de sacudir o seu cachimbo e ofertá-lo ao treinador Enzo Bearzot quando este subiu à tribuna (ou será imaginação minha?). As imagens correram mundo (num tempo de tão menos imagens), tornando-se icónicas. E com vários sentidos: o velho presidente símbolo do adepto, “tiffosi”, mas também do combatente antifascista que via então a sua Itália campeã, cinco décadas depois dos títulos sob Mussolini. Ficou assim consagrado o direito ao festejo, exultante, na tribuna de honra.

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Meia-final da taça da Liga

Um jogo mau, 50 e tal faltas, para além dos lançamentos laterais lentos e da muita gente a rolar no chão como se em imenso sofrimento. Qualquer Brighton-West Bromwich tem mais futebol do que isto. Claro que é bom aceder à final da taça (em tempos dita Lucílio Baptista, agora rebaptizada CTT) e espera-se que não aconteça como na primeira edição do prestigiado troféu, quando o Vitória de Setúbal triunfou na final com o Sporting.

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Grande Borregada

 

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(Postal para o És a Nossa Fé, a propósito do Vitória de Setúbal 1 – Sporting 1)

A minha filha tem 15 anos, nunca viveu em Portugal, ainda assim é sportinguista (também com o pai que tem mal seria que não o fosse), foi uma vez a Alvalade (empate 1-1 com o poderoso Paços de Ferreira, se não estou em erro), e desde os seus 6 ou 7 anos vai de vez em quando (menos agora, lá no estrangeiro e eu por cá) ombreando no sofá com o depauperado pai, assim a ver a bola. Aconteceu isso no último Benfica-Sporting, em casa de bons amigos. E depois, já nós caminhando para o carro, desabafava ela (repito, nos seus 15 anos, sem conhecimentos enciclopédicos da matéria) “oh pai, é sempre a mesma coisa, há anos que é isto, levamos um golo no fim dos jogos”. Não, não estou a dizer “que da boca das crianças sai a verdade”. Pois ela já não é uma criança (ai, que saudades, ai, ai, como dizia o lampião Carlos Pinhão). Estou, pura e simplesmente, a dizer que até uma jovem nada fanática e algo distante destas coisas da bola constata o constatável.

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Desconto de Tempo

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(Postal para o blog És a Nossa Fé)

Começa este fim-de-semana a segunda volta do campeonato de futebol. A equipa está a dois pontos da frente. Está invicta: leio hoje que isso só aconteceu por sete vezes na história e que apenas por duas vezes isso não teve como corolário o título. Para esta etapa da época tem a segunda melhor pontuação nos campeonatos da última década (um ponto menos do que há dois anos). Enfrentou uma liga dos campeões dificílima e jogou-a muito bem, com três excepcionais exibições (na Grécia, em Turim, em Alvalade com a Juventus) e três outros bons jogos, talvez a merecer melhor sorte final. Nessa campanha mostrando uma excelente armadura táctica, boa condição atlética e patenteando alguns excelentes jogadores. Contratou-se bem, os dois “veteranos” para a defesa recuperaram a condição física e mostram que vieram para somar, Piccini afinal é mesmo jogador. E se Acuña é mesmo competente, Bruno Fernandes foi uma jogada mais do que certeira. Com o plantel assim constituído a equipa está nas meias-finais das taças nacionais e na Liga Europa. Qual o ambiente geral após este “primeiro semestre”? Algum apoucamento dos feitos, muito martirizado pelo jogo menos conseguido em Alvalade com o Porto e com o engasganço na Luz. Críticas constantes ao entendimento táctico de Jesus. E a autoflagelação por causa da contratação de Alan Ruiz e alguns outros (os vizinhos de Carnide abasteceram-se com Douglas, “anteciparam-se-nos” no Gabigol, mostraram Seferovic e lamentam-se tão menos; ali a norte de Gaia pagaram 20 milhões por Oliver Torres e nem é assunto). Somos (um plural pois meto-me todo  neste caldeirão) mesmo insuportáveis.

O que desejo para o segundo semestre? Que ninguém ande por aí a dizer que “iremos comemorar para o Marquês”. O título deverá ser comemorado no estádio de Alvalade, nossa casa. E se não coubermos todos temos as cercanias.

Afinal?!

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(Postal para o És a Nossa Fé)

Eu sei que é dia de derbi. E que a “janela de Inverno” fervilha (a ver vamos, que isto de “entradas de Janeiro, saídas de sendeiro” – ok, ok, o André Cruz e etc, mas isso são as excepções …). Mas, assim a modos que prelúdio para o dia, dá-me gozo isto do Carvalhal ter entrado no “melhor campeonato do mundo”. Dois anos excelentes na II divisão (como antes se dizia), agora ascendendo ao Swansea. Um grande primeiro jogo – vitória que não foi com “dedo de banco”, foi mesmo com “manápula de banco”. Ok, ontem uma derrota com o forte Tottenham, mas algo excêntrica (também há erros de arbitragem “lá fora”). Enfim, o homem treinou o Sporting, nunca foi amado, nem confiado. E, afinal?!, deve ter algum valor para estar a fazer a carreira que está a fazer. Estou a torcer por ele.