Onde está o Benfica? (2)

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(Postal para o És a Nossa Fé)

Mais uma vez a turba benfiquista surge a provocar – agora vandalizando os veículos que transportaram os adeptos do Sporting para um jogo de andebol. Nessa provocação glorificando o assassínio: o de um adepto sportinguista, perpetrado num estádio de futebol, acontecido há já 23 anos; e outro, mais recente, de um adepto sportinguista, atropelado intencionalmente nas imediações do estádio da Luz. Como há já algum tempo aqui referi (e não vou agora repetir argumentos …) esta já tradição benfiquista, um verdadeiro culto da morte, não provoca nenhum repúdio da direcção daquele clube. E convém lembrar que o presidente do Benfica, no momento mais baixo dos seus quinze anos de presidência, chegou ao cúmulo de comentar, aquando do mais recente assassinato (cujo autor está em liberdade, ao que julgo saber), sobre a pertinência do assassinado estar nas redondezas do estádio benfiquista.

Há silêncios que são tonitruantes. E há silêncios que são abjectos. Este silêncio da direcção benfiquista é tonitruante e desprezível, denotando explicitamente de que matéria (i)moral é feita a gente que a integra. O silêncio do Estado diante disto é também inaceitável. E denota a incompetência ensonada dos seus governantes.

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Viva Bielsa

(Postal para o És a Nossa Fé)

No dia deste escandaloso Braga-Benfica, do qual retiro o final ensinamento que não se justifica esperar que isto do futebol português venha alguma vez a melhorar do estado de aldrabismo visceral no qual vive há décadas, é emocionante ver o que Marcelo Bielsa mandou fazer no Leeds United-Aston Villa, ainda por cima numa decisão que impede a sua própria equipa de ascender imediatamente ao ambicionado e riquíssimo campeonato inglês. Bielsa passou assim do consabido “El Loco” a consagrado “El Justo”.

Em Portugal temos esta merda. A mim resta-me, algo quixotesco, uma decisão: tentar nunca consumir qualquer produto que anuncie no futebol português.

Quanto ao resto? Que se foda, não dou mais para este peditório abjecto.

Viva o VAR, mas …

5-3

(Postal para o És a Nossa Fé)

Jogo engraçado, ontem o Manchester United-Tottenham (vi-o pois aqui passou em canal aberto). Mal jogado, surpreendentemente mal jogado entre equipas destas e com tais jogadores. Erros de marcação, imensos passes errados, perdas de bola absurdas, um rol já nada usual em jogos de elite. Resultado? Espectacular. Não um jogo bom, mas um jogo espectacular. Divertidíssimo.

Torci pelo Tottenham, apesar de Bernardo Silva (já agora, porque não é ele tão relevante na selecção como o é no clube?). Torci pelo Tottenham muito pela minha tendência para torcer pelo desfavorito (o “underdog”, ainda que “abaixo de cão” não seja bem aplicável ao duplo vice-campeão inglês nas 3 últimas épocas). Mas, e acima de tudo, pela minha falta de simpatia por estas grandes equipas europeias construídas com oleodutos de dinheiro, proveniente das economias paralelas e das apropriações das riquezas estatais (“oligarcas” russos, nobreza árabe, “tycoons” yankees, testas-de-ferro extremo-asiáticos, etc.), uma gigantesca lavandaria financeira que procura, mais do que tudo, comprar “portos seguros” para essa camada hiper-bilionária e, também, influência política – a nobreza qatariana despejando dinheiro para alegrar os parisienses mostra, acima de tudo, o quão incómoda é a vizinhança saudita, mas a gente fala é do Neymar e do Mbappé … Processo este que conduzirá, mais cedo do que mais tarde, ao tal festival da Eurovisão do futebol, a liga europeia que será letal para os clubes dos países excluídos, a morte do futebol como o conhecemos. Enfim, deambulo, divago, apenas para sublinhar as razões pelas quais torci pelo Tottenham (um clube que não contratou jogadores para esta época, julgo que não estou em erro, mostrando o quão diferente vai o clube, que acabou de inaugurar um novo estádio).

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Onde está o Benfica?

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(Postal para o És a Nossa Fé)

Há 23 anos uma família perdeu, de modo absurdamente trágico, um dos seus mais queridos. Era adepto do Sporting, num campo de futebol, e morreu devido a um acto bárbaro mas também estúpido de adeptos do Benfica. Ao longo dos anos – e mesmo neste último Sporting-Benfica – o acto, o disparo da munição assassina, é constantemente glosado pelas claques benfiquistas. Com toda a certeza fazendo avivar a dor da família. Um festejar da morte que também passa por estas regulares pinturas, como agora, mais uma vez aconteceu em Sintra, como o demonstra esta foto, que mostra as instalações vandalizadas por uma pichagem invocando o assassino “very light 96”.

Isto não é o Benfica, não representa a massa enorme de sócios e adeptos, ou as pequenas franjas dos seus dirigentes. Mas é um sentir de parcelas dos seus adeptos, das suas claques. Gente cruel, de modo hediondo recusando dar paz a uma família, recusando-lhe o término do seu luto. 23 anos depois.

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Memórias de adepto de futebol

(Postal para o És a Nossa Fé)

Não tenho acompanhado os jogos portugueses, literalmente perdi a paciência. Não é a primeira vez que isto me acontece. A primeira vez, assim tão radical, foi no início dos anos 1990s. Tinha por costume ir ver os jogos em casa, antes na superior, depois na “bancada nova”. Num Sporting-Porto, que terminou 0-0 (1990?, 1991?, por aí …), saí tão irritado com o árbitro – um mariola muito sabido, que controlou o jogo com “faltas” e “desfaltas” a meio-campo, assim sem ter que recorrer aos “roubos de catedral” – que jurei não voltar aos estádios. Com efeito, para quê gastar dinheiro e, fundamentalmente, tempo, em algo que se sabe estar viciado? Só regressei a Alvalade para ver o Real Madrid (1994/1995), numa eliminatória que o Sporting ingloriamente perdeu por défice de guarda-redes.* Já emigrado, durante umas férias no país em 2002, ali voltaria ainda para me despedir do estádio antes da sua patética demolição – a estupidez de construir um estádio novo em vez de um municipal é uma coisa tão vergonhosa que os adeptos continuam a falar de outras coisas -, numa derrota caseira contra o Porto, mas tendo tido o prazer de ver o recém-titular Quaresma, então em puro estado mustang, e também um jovenzito ex-júnior (como se dizia antes desta patetice de chamar “academia” às escolas de jogadores), um tal de Cristiano.

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Ajax

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(Postal para o És a Nossa Fé)

Rejubilei com a magnífica vitória do Ajax (resumo aqui). Meu clube, não por aqui no Benelux (quem se lembra ainda deste acrónimo?) – vi o jogo num canal flamão  (como aqui dizemos flamengo) no qual os locutores exultavam, naqueles seus sons tão africanderes, com o desenrolar do resultado. Mas porque me fiz adepto de futebol no tempo do seu expoente máximo, décadas depois subalternizado por esta economia de futebol totalmente desequilibrada, a da concentração dos clubes nas mãos dos oligarcas internacionais.

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This shit is a joke

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(Postal para o És a Nossa Fé)

Um profissional de futebol, guarda-redes, que treina todos os dias a atirar-se energicamente para o chão, é empurrado sem violência, cai suavemente de frente sobre o relvado … O adversário é expulso por comportamento incorrecto. Nada a dizer. Para mim deveria ser castigado pelo seu próprio clube – não só porque se fez isentar do jogo seguinte, devido a castigo, mas porque fez gastar o pouco tempo que restava do jogo, no qual o Sporting tentava ainda ganhar.

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Como me tornei adepto …

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(Postal para o És a Nossa Fé)

Muito se discute em Portugal isso do VAR. Ontem vi o Atlético de Madrid – Real Madrid.

As minhas simpatias no futebol espanhol mudaram ao longo dos anos. Comecei por ser adepto do Barcelona, devido a um jogo que vi na RTP – então eram muito raros os jogos transmitidos – e que imenso me marcou: a final da taça do Generalíssimo (pois, então era assim …) de 1971, em que o Barcelona ganhou ao Valência por 4-3.

Esse ano foi a minha era formativa em termos de futebol, pois também fiquei adepto do Arsenal, e também devido ao triunfo na final da Taça, com um tipo chamado Charlie George, de cabelo comprido (à Beatles, como se diria na época) a brilhar na vitória contra o Liverpool.

E, mais importante, muito mais importante, foi também nesse ano, e também na final da taça, vista na televisão – numa casa onde mais ninguém ligava a futebol – que me fiz sportinguista, tombado para sempre amoroso de Vítor Damas e do maravilhoso verde-e-branco, numa vitória sobre o Atlético de Carnide por 4-1.

Em Espanha depois mudei, já adulto. E claro que por causa de Paulo Futre, que então era rara a emigração dos futebolistas portugueses, passei a adepto do Atlético de Madrid. Algo que resistiu à chegada de Luís Figo ao Barcelona e à sua transferência para o Real Madrid. E à chegada de Cristiano ao mesmo Real. Até porque, de facto, não gosto da cagança merengue e do frenesim catalão. Mas mais do que isso porque essas transferências dos ídolos nacionais já aconteceram em minha fase mais madura, menos dada a paixões e muito mais propensa a irritações. E foram essas irritações que me afastaram, para sempre, do Atlético de Madrid, neste recente início de 2018/19, num “ficais com o Gelson? Ide bugiar”.

Como tal gostei bem da derrota de ontem dos colchoneros. Mas aqui entre nós, e a propósito do VAR, antes de protestarmos com o milímetro a mais ou a menos que os árbitros portugueses concedem ou desconcedem, conviria ver o que fazem os árbitros espanhóis.

“Com a desgraça alheia posso eu bem”? Sim, também é verdade. Mas pelo menos dá para perceber que não estamos pior do que os vizinhos … Que grande lata que por lá têm.

Adenda: hoje o grande Fernando Chalana faz 60 anos, mas sabe-se que essa chegada a sexagenário é feita em difíceis e tristes condições de saúde. Chalana, ídolo dos vizinhos ali de Carnide, foi um jogador extraordinário. Há cerca de 10 anos foi, como treinador principal interino daquele clube, a Maputo para um torneio quadrangular de fim de época, comandando uma equipa de reservas e jovens. Pude conhecê-lo. A delegação benfiquista foi a uma escola, eu fui lá ver a reacção dos miúdos. Estes estavam esfuziantes por ver os “ídolos” (de facto eram as reservas dos “ídolos” mas isso não alquebrava a euforia juvenil). E claro que ninguém ali conhecia Chalana. Aproveitei  para me apresentar e ficámos de conversa uma boa meia-hora. Um homem gentilíssimo. E interessado, coisa tão rara entre os visitantes portugueses – indagando sobre o país, sobre mim, como corria a vida, como a família se adaptava, etc. Tão diferente do “me, myself and I” dos inúmeros patrícios que por lá aportavam, qualquer que lhes fosse a profissão ou meio de origem. Fiquei ainda mais fã …

Por isso, pelo magnífico jogador, e pela simpatia pessoal, aqui deste meu “Bordeaux” deixo a minha leonina hommage à Chalanix:

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Um postal que não é sobre futebol

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‘Tweet’ sobre jogo … vale suspensão e multa a Afonso Figueiredo. Defesa do Rio Ave punido pelo Conselho de Disciplina: o lateral esquerdo Afonso Figueiredo  foi esta terça-feira (ontem) suspenso por uma partida e multado em 580 euros devido a um “tweet” publicado a 16 de setembro do ano passado, na sequência de um duelo entre o Rio Ave e o Benfica referente à fase de grupos da Allianz Cup (…). Na altura, na rede social Twitter, numa publicação que posteriormente apagaria, o (jogador de futebol do Rio Ave) deixou a seguinte mensagem: “Quando uma equipa ‘pequena’ assusta um grande, há sempre ‘alguém’ para os ajudar… Quando evoluis, Portugal? P.S.: dentro de campo não havia buracos“.

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