Um outing no Muppet Show

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Vai para aí um arraial feliz, na notícia que dois bonecos Marretas saíram do armário. E logo os mais estupores percorrem a galeria de personagens BD e animação, declarando risonhos “outings” na galeria dos heróis – o pacto de leitura que estes letrados cometem mostra-os bem limitados, até descendentes daquele tão fora de moda “neo-realismo”, não há volta a dar, é o triste fado.

Após 1989, com o final do genocidismo, a esquerda europeia gringou-se e nisso virou identitarista. A sacra aliança operários-camponeses virou mulheres-homossexuais, os livros de Marx foram para as arrecadações e Foucault passou a “ficar bem” na decoração de interiores. 

Agora mesmo, com todas estas saudações festivas ao casal de fantoches, ocorre-me – na enevoada memória, pois não vejo um episódio dos Marretas há 40 anos – que a única personagem feminina (“pessoa do género feminino e da comunidade branca”, como a descreveria um antropólogo se escrevendo no “Público”) era a vaca da porca Piggy, uma megera, desleal ninfomaníaca, egocêntrica, obesa desafinada e que, pior do que tudo, azucrinava a cabeça do seu pobre e sofrido namorado (“pessoa do género masculino e da comunidade verde, como o descreveria um antropólogo se escrevendo no “Público”). Um “must” em termos de estereótipos sexistas …

Camaradas feministas estamos à espera de quê? Agora que todos louvam a pertinência dos fantoches Marretas não exercerão a vossa crítica ideológica, não apontarão a série como uma vil manobra anti-pessoasdogénerofeminino? Ou a aliança de classe, perdão, de identidades sobreleva-se, a bem da unidade do Partido, coisa do centralismo democrático? E ficar-se-ão no elogio ao casalinho fantoche?

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A Serena e o egípcio

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As “feministas” de hoje (acompanhadas de uns pobres patetas que também assim se pintalgam) continuam a rugir no sofá contra o árbitro de ténis machista porque este persegue as mulheres (negras, ainda por cima), como se comprovou ao ter penalizado a número 1 do ténis (negra ainda por cima) tal como o fez ao número 1 do ténis (apesar deste ser branco), um breve episódio deste final da “estação estúpida” que tanto assim se mostra viva nestes identitaristas.

Comparativamente os efeitos de outra notícia mostram bem a hipocrisia deste feminismo (racialista) que para aí anda. Uma pobre alma egípcia foi trabalhar para um hotel na Arábia Saudita, estupidamente filmou-se a comer com uma colega (atenção, não é comer a colega, é comer com ela) e colocou o filme numa rede social (vale a pena ver o filme, na sua candura sem-gosto). Foi preso, pois ali não se pode comer com mulheres desacompanhadas!

As “feministas” neo-comunistas e os pobres patetas pintalgados  dizem algo, afadigam-se em partilhas, em veementes protestos? Nada – a agenda deste lumpen intelectual é o “afrodescendentismo”, que se lixe o egípcio (apesar dele próprio ser afrodescendente mas que interessa isso, o que vale é ser “negro”, o resto vale nada) mais a atrevida da árabe, não é assim?

A notícia ainda é mais interessante, pois o malandro do egípcio não só é acusado de ter … comido com a colega como também de desempenhar funções vedadas aos estrangeiros, isso de trabalhar num hotel e ter acesso ao pequeno-almoço. Os camaradas sindicalistas, herdeiros do internacionalismo proletário (ainda que nem todos gostem de “”escurinhos”)? As boas almas que transformam todos os imigrantes na Europa em refugiados? As eurodeputadas que nazificam todo os que se opõem à abertura de fronteiras, e querem restringir direitos aos imigrantes? A clique de tudólogos e seus admiradores sempre atreita a criticar qualquer proto-desmando dos EUA/UE/Austrália e ilhas adjacentes (safa-se o Canadá) com os “refugiados (económicos)” que ali/aqui acorrem? Alguém desses núcleos diz algo sobre estas condições, estas barreiras laborais? Nada. Que se lixe o sacana do egípcio, e os como ele. Não desrespeitasse a lei e a identidade cultural lá do sítio.

Esta “nossa” gente é mesmo miserável.