Legalize it?

cannabis-2305146_960_720

O mundo da hipocrisia: este fim-de-semana cá em casa um belíssimo médico que me é muito querido e próximo dizia sobre esta cena da legalização do cannabis para efeitos médicos que “temos uma série de químicos que fazem o mesmo e sobre os quais temos estudos sobre os efeitos secundários, não tanto sobre isto …”. Mas, dizia ele, liberal (eh, eh, liberal de costumes, não é “neoliberal”, não disparem já), “aceite-se“. Até acredito que tenha efeitos terapêuticos, até já li sobre isso. Mas, olivalense adolescente nos finais dos anos 70s, só me sorrio diante disto. Pode ser que seja terapêutico mas a questão é política, lá no fundo é o “legalize it” que animou uns nichos BE da década passada (não disparem, fiz o meu primeiro interrail em 1982, cruzando a “comunista” Jugoslávia com um pin desses. Voltou encardido, tão poucos banhos tomámos nesse mês.). Mas enfrente-se lá a coisa (o brunhol) como “deve de ser”: a gente vive num país de cultura vinícola, e de aguardentes vinícolas, (regresse-se ao Braudel, sff), de facto um país alcoolizado, onde até a sacrossanta selecção da bola publicita cervejas e um puto de 13 anos pode comprar shots no centro de Lisboa. Um consumo alcoólico per capita dos maiores do mundo, alcoólicos “funcionais” por todo o lado e disfuncionais também. Se qualquer pateta de classe média substituiu o bitoque por sushi e as papas de aveia por cuscus, está mas é no momento de dizer “fumem lá isso” (e não chateiem), e bebam um bocado menos (já viram quantos cinquentões estão a morrer do fígado, e nem todos por causa da heroína de antanho?). Sem esta hipocrisia do “terapêutico” …O brunhol faz mal? Imenso. Ao corpo, aos pulmões e etc. E estuporiza. Mas num país onde metade da população que vem ao FB é adepta do Sócrates (aka Costa) qual é o susto?, há tantos estupores que já não há forma de piorar. Em suma, “Kaya”, mas sem este patético requebro sanitário.

Read more

Anúncios