Eleições autárquicas

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Isto das autárquicas vale o que vale, concluir a partir delas é errático mas quero perorar. 1. O PSD e o CDS governaram 4 anos em condições tétricas e, chegado o fim dessa legislatura, ganharam umas eleições e o PS teve um resultado muito fraco. 2 anos depois o PSD leva uma abada nas autárquicas. A causa não é 2011-2015, tem que ser o 2015-2017. 2. O PSD leva uma abada, a cabeça de Passos Coelho é pedida; o PCP leva uma arrochada do caraças, o granítico Jerónimo é polido pela imprensa. 3. Pedrógão Grande passa do PSD para o PS: terá a ver com os candidatos. Tem a ver com a especificidade autárquica. Mas, raisparta (para não dizer pior): que coisa horrível. 4. Botei (no meu blog, não aqui no Delito …) algumas vezes sobre a freguesia lisboeta Olivais, onde cresci e onde voltei a viver: cerca de metade dos eleitores votaram, até um pouco mais do que há 4 anos. A lista PS ganhara com 42% em 2013. Agora ganhou com 52%, mais votos, mais mandatos, a mesma presidente. Um tipo torce o nariz, lamenta que seja este o perfil e a política neste canto oriental da cidade. Resmunga com o estilo (ontem amigos meus levaram as octogenárias mães a votar. As mesas são as dos “velhinhos”, é por números de eleitor não tem que enganar. A presidente da junta por lá andava, beijando os bons dos “seniores”, “a senhora devia ter lido o nosso programa” ouviram-na em plena fila de voto. É este o modelo, indicia tudo o resto). Mas o que é certo é que os fregueses gostam. Não vale a pena discutir. É aceitar isto, para quê envenenar (mais) o quotidiano próprio.

E debater a evidência: o Porto do Sérgio Conceição é robusto. Bom ambiente no estádio de Alvalade, ontem. Os munícipes lisboetas souberam receber. É assim.

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Eleições amanhã: Lisboa e Olivais

Olisboa

Ia-me estrear a votar no CDS, na lista para a Câmara Municipal. Fui agora à página da candidatura buscar uma imagem para encimar o postal. E tão surpreendido fico que mudo o sentido de voto. Já ontem me irritara com a conversa de Cristas sobre a “carta de marinheiro” no currículo escolar. O meu irmão mais velho morreu comandante da marinha mercante, o meu outro irmão é capitão-de-fragata, alguns dos meus melhores amigos são afincados velejadores, nada tenho contra marinheiros, profissionais ou amadores. Mas o que tem isso a ver com Lisboa? O que tem de diferente daquilo do BE propor o surf no currículo secundário? Mas se a vontade era pouca morreu-se no “site” da candidatura: o mandatário é Carmona Rodrigues. A este vi-o há anos, na TV, até cândido, narrar que tinha estado em negociações com o partido de Manuel Monteiro, para que este lhe desse apoio numa candidatura. Dizendo, plácido, que a contrapartida não seriam lugares nas listas eleitorais, mas sim “umas consultorias”. Ou seja, reconhecendo a sua predisposição para utilizar o erário municipal para pagar apoios eleitorais. E achando isso tão legítimo que dizível. Lembro-me de achar/blogar que este era o ponto mais baixo a que chegara a nossa democracia. Que este homem seja o “senador” desta candidatura torna-a infrequentável. 

Assim sendo, sem grande convicção, mas porque é preciso enfrentar a candidatura da firma Medina & Manuel Salgado, Ltda., lá irei votar na lista PSD.

olivais

Olivais: freguesia com mais de 30 000 eleitores no centro de Lisboa. O PS sempre ganhou aqui. E deverá ganhar de novo, muito impulsionado pelo bom momento do partido, na cidade e no país. Ou seja, maioria sociológica e bom contexto político.

Mas muito má Junta. Resume-se a dois factores: uma equipa incompetente para assumir as novas competências e dotações orçamentais, resultantes da recente reconfiguração autárquica. E com uma grande incultura democrática. Traços que se tornam muito visíveis no descalabro dos espaços verdes, que abundam na freguesia, devido à incapacidade em gerir a sua manutenção. E na política populista, com controlo até patético da informação autárquica, com verdadeiro “culto da personalidade” da presidente, e um fervilhar de pequenas obras encetadas nos últimos dias (bancos de jardim, canteiros, etc.). E uma política cultural “festivaleira” ao longo dos tempos. Há um desencanto generalizado com esta Junta, independentemente dos partidos pelos quais as pessoas têm simpatia.

Eu voto na lista do PSD. Encabeçada por um tipo que é um professor universitário, que não conheço. E que aparenta alguma capacidade industriosa. Escolho este seu cartaz, porque me é ilustrativo do que julgo necessário face a estas eleições. Maria do Céu Guerra é uma grande actriz, e que tive o enorme prazer de conhecer em Maputo. É uma mulher insuspeita de ligações à “direita”. E integra a Comissão de Honra da candidatura de Fernando Medina. Mas quis expressar apoio a esta candidatura para a Junta dos Olivais, algo excêntrica ao seu perfil. Isto mostra que vê no candidato qualidades cívicas e intelectuais desejáveis.

É uma junta de freguesia, não se discute um modelo de sociedade. Nem um governo. Seria bom que os fregueses, desiludidos com a pobre equipa a que a concelhia do PS tem condenado os Olivais, pudessem cruzar as linhas partidárias (que não são tão rígidas assim) e dessem votos a uma potencialmente diferente postura, uma outra abordagem, uma outra cultura. Contribuindo, talvez, para um rejuvenescimento do bairro e, com toda a certeza, para a sua modernização.

No mesmo sentido olho para a candidatura do BE. Para muitos fregueses, seja por razões ideológicas, seja por estarem macerados pelo “austeritarismo” que o PSD encabeçou, o voto na “direita” é impensável. Ali à esquerda há uma lista do BE. Jovens, dizendo umas coisas com as quais eu não concordo – de facto apenas mostrando-me que envelheci e que, como sempre acontece, há novas gerações com outras ideias e, acima de tudo, outras irreverências. Saudáveis, mesmo que pareçam inauditas aos mais-velhos. Conheço bem uma das candidatas. Uma “sobrinha”. Excelente formação, inteligentíssima, magnífica. Seria bom que os fregueses sitos à “esquerda”, incapazes de votar laranja e que estejam contentes com o actual momento político, esta “geringonça”, votassem antes no BE, promovendo até uma “geringonça olivalense”. Porque estes ao menos são “miúdos” (sem desrespeito) inscritos numa concepção cultural (não, não falo de “actividades culturais”, de feiras do fumeiro e carrinhos de choque) do exercício cívico. E não nesta trôpega, autoritária e pessoalista noção do que é a democracia, que vem avassalando, incompetentemente, a freguesia.

Enfim, entre todos, há bastante para votar e escolher. A ver se se muda ou, pelo menos, se se constrange, esta paupérrima equipa, inculta, incompetente e, mais do que tudo, arrogante, que o PS insiste em manter no centro de Lisboa. Porquê e para quê?

Olivais

voliv

Eu estou ao balcão do café, aqui nos Olivais. A comitiva PS entra, 5/ 6 carros de gente, campanha algo abonada, até “hino” próprio para a freguesia se gravou, e algo piroso, como manda a tradição destas coisas. Nela há alguém da junta, dizem-me, baixo, outros clientes. Pedem ao (afável) dono do café para afixar cópia do edital com o mapa das secções de voto, como é costume nas eleições. Resmungo para mim, que até andei a fazer eleições em alguns outros países, que não devia ser assim, é uma caravana partidária a distribuir material eleitoral, é uma confusão sempre desaconselhável. Depois saio, e vejo o que colaram. Atrevidos, aproveitaram a óbvia concordância do dono para encimarem a cópia do mapa eleitoral da freguesia com um cartaz partidário, que simula o apoio do estabelecimento comercial a esta candidatura. À revelia do proprietário. Este encolhe os ombros, desagradado mas, como qualquer pequeno comerciante, nada atreito a comprar conflitos locais.

43 anos de democracia e ainda não aprenderam a separar o partido do Estado. E treinaram-se nestas (pequenas?) malandrices. Um (pelo menos um) dos da caravana é professor, conheço-o. É esta trapalhada, indigna, que veicula como a tal “cidadania” que se ensina no secundário?

Loures

vppc

(Voltei a escrever no blog colectivo Delito de Opinião. Este foi o primeiro texto que lá coloquei, na semana passada).

308 câmaras, 3000 e tal freguesias. É normal e competente que o presidente de um partido não critique ou se demarque do que algum dos seus candidatos diz. O que tenderia a tornar-se num verdadeiro jarro de Pandora, tamanha a possibilidade real de haver candidatos pitorescos (e/ou suas retóricas) ou, pelo menos, algo desajustados do rumo central. Mas há câmaras mais iguais do que outras. E pitorescos nada pitorescos. Uma sondagem anunciou que em Loures há uma maioria, apoiante de todos os partidos, concordante com as afirmações que o futeboleiro Ventura largou sobre a “ciganada” (não sei se também sobre a castração química ou a pena de morte, pois estes temas foram sendo deixados para trás). Talvez sim, e talvez isso não seja apenas o efeito do “anunciado na TV”, como antes eram publicitados os produtos mais pimba. E sim, os políticos, locais ou nacionais, devem dar voz às perspectivas da população, aos seus diversos sectores e interesses. E se há uma particular tensão social no município, se há grupos mais atreitos a tornearem os enquadramentos legais, actue-se, identifiquem-se as questões e proceda-se para resolver os problemas (e não, não é à chibatada).

Mas é óbvio que não é disso que se trata. Nem temos vindo a receber novas de que Loures seja um caso patológico. Nem a argumentação de Ventura assenta num conhecimento sociológico da realidade municipal. É apenas um tonitruante e inintelectual “diz que”, um verdadeiro “boçalismo a microfone aberto”. E que tendo algum sucesso eleitoral tenderá a alastrar-se (ou sedimentar-se), nas mentes habitantes das 300 e tais câmaras e 3000 freguesias. E dos seus políticos, nem que seja como estratégia de cabotagem. Por tudo isto, ao dinamizar e, acima de tudo, ao ombrear com este venturismo aventureiro, Pedro Passos Coelho está muito mal, etica e intelectualmente. E a mostrar desnorte político, a querer crescer em areias movediças (que o engolirão, a curto prazo). Ou seja, está a atirar a candidatura global PSD para a categoria “lixo” nas agências de avaliação da política. Nós.

Hora Medina

vlx

A “Hora Medina”, julgo que ferrete lançado por Assunção Cristas, está muito bem sacada (e a expressão é tão adequada que ficará, se calhar daqui a décadas ainda utilizada sem se saber bem o que significa). Mas também mostra que PSD e CDS se deviam ter coligado em Lisboa, talvez Medina & Salgado viessem a pagar caro o frenesim demagogo, e o tirocínio do primeiro para S. Bento fosse abalroado. Entre a descrença no real e a crença na pequena política espalharam-se. A ver se aprendem algo com isto.