Com a Bíblia

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(“Violando a Bíblia”, na Ilha do Tesouro de Robert Louis Stevenson)

Ainda que incréu nutro o maior respeito pela fé alheia. Tendo sido alfabetizado ainda mais saúdo aqueles que seguem o(s) Bom(ns) Livro(s). Mas com a idade cada vez mais me custa aturar os fanáticos, os que interpretam o(s) tal(is) livro(s) à letra: aqueles dos islâmicos que em ânsias de cortar as mãos aos ladrões; os liberais vendo a total livre empresa como o bólide que nos conduz ao Eden; os marxistas que tudo querem do Estado, que julgam Santo; os, talvez os piores, do culto de Foucault, que a todos os tipos de poderes dizem ilegítimos e perversos; os cristãos, que nem nos deixam invocar o nome de deus em vão, nem tão pouco cobiçar as mulheres porque “de outros”; os do PS, que afirmam ser silvestre a entidade Berardo; etc. Todos estes se agarram aos textos que dizem sacros e se empertigam, nas suas falsárias falsas verdades. Assim tanto nos incomodando. E prejudicando.

Mas depois todos eles se desdizem. São uns mariolas pois, de facto, dos tais bons livros só retiram o que lhes dá jeito. Aos cristãos poderemos entoar isto: “Obedeçam às minhas leis. “Não cruzem diferentes espécies de animais. “Não plantem duas espécies de sementes na sua lavoura. “Não usem roupas feitas com dois tipos de tecido.” (Levítico 19:19).

E aos outros bastará abrir os livros (deles). Ao “calhas”. E mostrar, com breves citações, o quão inconsequentes vão. Os tais mariolas.

(Talvez a melhor cena literária do abrir a Bíblia ao calhas e de como se manipula o “Bom Livro” seja a da Ilha do Tesouro (Stevenson), a da manha do carismático “bom pirata”, o soberbo Long John Silver, uma das grandes personagens literárias de sempre. Aqui em versão “marretiana” …)