This shit is a joke

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(Postal para o És a Nossa Fé)

Um profissional de futebol, guarda-redes, que treina todos os dias a atirar-se energicamente para o chão, é empurrado sem violência, cai suavemente de frente sobre o relvado … O adversário é expulso por comportamento incorrecto. Nada a dizer. Para mim deveria ser castigado pelo seu próprio clube – não só porque se fez isentar do jogo seguinte, devido a castigo, mas porque fez gastar o pouco tempo que restava do jogo, no qual o Sporting tentava ainda ganhar.

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Paulo Rangel e as eleições europeias

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As pessoas podem simpatizar ou não com Rui Tavares e/ou com o seu agrupamento político. Independentemente disso – eu, por modesto exemplo, fico sempre com “pele de galinha” diante desse MES new age -, vale ler este seu artigo sobre o can-can de Paulo Rangel,  candidato nº 1 do PSD nas listas para o Parlamento Europeu, como já o fora nas últimas eleições.

Se houvesse algum tino no prezado eleitorado (uma utopia, a gente sabe), um artigo destes, letal, faria mossa nas aspirações rangelianas e dos da sua igualha, hipócritas que vão. Entenda-se, um pontapé nas eleições. Mas como não há, esse tal utópico tino, lá será ele – e mais alguns da sua inestimável (sim, “inestimável”) estirpe – eleitos para o vai-vem Estrasburgo- Bruxelas.

A mim não fará grande mossa: aqui só vejo “casacos azuis” – o inconfundível uniforme dos tugas doutores – no vizinho “Tiago’s“. E aproveito a desculpa da imperial ali custar o dobro do que custa no meu “Ponto de Encontro” – sítio aprazível que me faz sentir como se em … Maputo ou nos Olivais – e nunca lá vou. Entenda-se, evito aquilo mesmo por causa dos “casacos azuis”, raios partam os Rangéis e companhias ilimitadas.

Filosofia da história

Antes houve uma geração que quis escangalhar o Estado, depois viemos nós, bebemos e fumámos o que encontrámos e se mais houvera, e houve, e agora chegaram estes, que querem … escangalhar o telemóvel. A ver quem virá a seguir, mas não me cheira que venha a ser grande coisa.

A Cofina

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(Postal para o És a Nossa Fé)

Há cerca de um ano, eu – tal como muitos sportinguistas, e aqui vários co-bloguistas – mudei de opinião acerca do então presidente do Sporting. Ou seja, se até então desvalorizara o incómodo, até desconfiança, que sentia face ao que imaginava estar subjacente à sua contínua rusticidade, desde o início de 2018 que me pareceu que algo se destrambelhara, até abissalmente. Ponderei que talvez fosse apenas uma flutuação individual (algo como o depois celebrizado “burnout“, no português do dr. Barroso), e cheguei a blogar que poderia Carvalho fazer um intervalo de funções, deixando a caravela (que ambicionamos transformada em porta-aviões) nas mãos dos seus colegas de direcção durante o período de descanso. Mas também temi, sem o blogar, que muito do despautério – comunicacional e executivo – adviesse de um falhanço de medidas de risco entretanto tomadas, um “stress” cujas causas seriam interiormente conhecíveis mas ainda obscuras ao observador interessado. Nesse abrasivo contexto a partir desse início de 18 comecei, como vários de nós aqui no És a Nossa Fé, a criticar o rumo da direcção do clube. E nos meses seguintes, por razões do vulcânico ambiente sportinguista, foi uma azáfama aqui no blog, entre inúmeros postais e debate nos comentários, estes quantas vezes de uma jactância até dolorosa.

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Como me tornei adepto …

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(Postal para o És a Nossa Fé)

Muito se discute em Portugal isso do VAR. Ontem vi o Atlético de Madrid – Real Madrid.

As minhas simpatias no futebol espanhol mudaram ao longo dos anos. Comecei por ser adepto do Barcelona, devido a um jogo que vi na RTP – então eram muito raros os jogos transmitidos – e que imenso me marcou: a final da taça do Generalíssimo (pois, então era assim …) de 1971, em que o Barcelona ganhou ao Valência por 4-3.

Esse ano foi a minha era formativa em termos de futebol, pois também fiquei adepto do Arsenal, e também devido ao triunfo na final da Taça, com um tipo chamado Charlie George, de cabelo comprido (à Beatles, como se diria na época) a brilhar na vitória contra o Liverpool.

E, mais importante, muito mais importante, foi também nesse ano, e também na final da taça, vista na televisão – numa casa onde mais ninguém ligava a futebol – que me fiz sportinguista, tombado para sempre amoroso de Vítor Damas e do maravilhoso verde-e-branco, numa vitória sobre o Atlético de Carnide por 4-1.

Em Espanha depois mudei, já adulto. E claro que por causa de Paulo Futre, que então era rara a emigração dos futebolistas portugueses, passei a adepto do Atlético de Madrid. Algo que resistiu à chegada de Luís Figo ao Barcelona e à sua transferência para o Real Madrid. E à chegada de Cristiano ao mesmo Real. Até porque, de facto, não gosto da cagança merengue e do frenesim catalão. Mas mais do que isso porque essas transferências dos ídolos nacionais já aconteceram em minha fase mais madura, menos dada a paixões e muito mais propensa a irritações. E foram essas irritações que me afastaram, para sempre, do Atlético de Madrid, neste recente início de 2018/19, num “ficais com o Gelson? Ide bugiar”.

Como tal gostei bem da derrota de ontem dos colchoneros. Mas aqui entre nós, e a propósito do VAR, antes de protestarmos com o milímetro a mais ou a menos que os árbitros portugueses concedem ou desconcedem, conviria ver o que fazem os árbitros espanhóis.

“Com a desgraça alheia posso eu bem”? Sim, também é verdade. Mas pelo menos dá para perceber que não estamos pior do que os vizinhos … Que grande lata que por lá têm.

Adenda: hoje o grande Fernando Chalana faz 60 anos, mas sabe-se que essa chegada a sexagenário é feita em difíceis e tristes condições de saúde. Chalana, ídolo dos vizinhos ali de Carnide, foi um jogador extraordinário. Há cerca de 10 anos foi, como treinador principal interino daquele clube, a Maputo para um torneio quadrangular de fim de época, comandando uma equipa de reservas e jovens. Pude conhecê-lo. A delegação benfiquista foi a uma escola, eu fui lá ver a reacção dos miúdos. Estes estavam esfuziantes por ver os “ídolos” (de facto eram as reservas dos “ídolos” mas isso não alquebrava a euforia juvenil). E claro que ninguém ali conhecia Chalana. Aproveitei  para me apresentar e ficámos de conversa uma boa meia-hora. Um homem gentilíssimo. E interessado, coisa tão rara entre os visitantes portugueses – indagando sobre o país, sobre mim, como corria a vida, como a família se adaptava, etc. Tão diferente do “me, myself and I” dos inúmeros patrícios que por lá aportavam, qualquer que lhes fosse a profissão ou meio de origem. Fiquei ainda mais fã …

Por isso, pelo magnífico jogador, e pela simpatia pessoal, aqui deste meu “Bordeaux” deixo a minha leonina hommage à Chalanix:

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José Nuno Martins e a Besta Negra

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José Nuno Martins chamou “besta negra” ao Jorge Andrade e caiu o Carmo e a Trindade. O Jorge Andrade, que eu saiba, não reagiu ao dichote mas já reconheceu que se havia “esticado”. Ele foi um extraordinário jogador, um magnífico defesa-central (muito prejudicado por lesões) e é um homem simpaticíssimo e muito bem-disposto. E “esticou-se” porque disse na tv que ao miúdo-maravilha que por ora desponta no Benfica ele “daria um pisão”, para o amansar em campo. Sejamos francos, é o que os gajos da bola fazem. E é o que os gajos da bola falam. Mas não em público, claro, que a compostura e o respeitinho são muito apreciados. Faltou ao Jorge Andrade mudar de registo (de “chip” diz-se agora), ali no estúdio da tv. E, francamente, para quem gosta de futebol, para além dos clubes, este miúdo, que dá pela graça de João Félix, é um regalo, o franzino reguila artista, o tipo de jogador que nós povo adoramos: guardem lá os “pisões” para outros morcões …

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O meu irmão

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(Postal para o Delito de Opinião)

(Patrícia Reis fala de violência doméstica e do femicídio.  E lembra-me uma história da minha meninice.)

Eu tenho 4 ou 5 anos, não sei bem, é cerca de 1969 mas não me acordaram ou acordarão para ver Armstrong dar o pequeno passo, e por isso já estou amuado com os meus pais e assim continuarei no próximo meio século. Estou doente, ouvi que tenho uma coisa no rim, pois aparece-me sangue no xixi, acho que há meses que não vou à escola, as minhas avós revezam-se a acompanhar-me, ainda que cá em casa haja várias empregadas (chamar-se-ão assim no futuro, quando eu entrar no liceu, que agora dizemos criadas) e ama. Se calhar não são meses, julgo que pensarei isso no futuro, mas agora tenho a certeza que estou doente há imenso tempo. Hoje é sexta-feira, e, como não posso ir brincar para a rua, estou na varanda deste rés-do-chão a ver os amigos ali mesmo defronte, numa rua como se pátio deste nossos Olivais, a Cabinda. As criadas estão comigo, atraídas pelo barulho, a gritaria. Pois um pouco abaixo, junto à rua, uma porteira está a ser espancada pelo marido, um bêbedo, dizem enquanto entre elas espreito. Ele bate-lhe, ela está no chão e grita. Às portas da mercearia, da farmácia, do café e às dos prédios está gente a ver o que se passa, e também às janelas das casas chegaram curiosos.

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