Os livros de João Paulo Borges Coelho

jpbc

Quem me vai lendo os blogs saberá do meu apreço pela ficção de João Paulo Borges Coelho. Pelo prazer enorme que me dá ler os livros. Mas também porque o olhar que ele tem sobre Moçambique muito me ilumina, mostra-me o país.

Já escrevi e falei sobre isso. Agora dei forma final a um texto que explica porque uso aqueles livros como a minha bengala para entender o “do Zumbo às águas do Índico, do Rovuma ao Maputo”. Está aqui, para quem tiver paciência e interesse: “O programa ficcional de João Paulo Borges Coelho.” (basta clicar no título que se aportará no texto)

Anúncios

Ba e a polícia

ba

Ba disse que a polícia é uma “bosta” (nota: “bosta” é um termo canónico). Muita gente indigna-se, pois Ba é do BE e não deveria dizer isso. Torço o nariz. Não sei se ele tem razão na interpretação do caso que causou as declarações – pelo que se vê nas curtas imagens, feitas pela vizinhança, é um típico caso de “porrada no beco”, com os cidadãos a investirem contra os polícias ali convocados para sanarem a situação. E estes a responderem. E daquele pouco que tenho lido de Ba e seus correligionários – alguns deles demagogos com palco usual no jornal “Público” e galões universitários – acho aquele discurso histriónico e sob uma ideologia execrável: são racialistas, e no caso dos académicos a adesão a essa ideologia é uma estratégia de obtenção de recursos, económicos e estatutários. Mas isso são contas de outros rosários.

Ler mais

Viva o treinador adjunto do Porto

img_757x498$2019_01_26_22_54_41_816322

(Postal de ontem para o És a Nossa Fé, blog sportinguista)

Diamantino Figueiredo, treinador adjunto de Sérgio Conceição (é o Nelson deles) tentou agredir adepto(s) com a medalha recebida no final do jogo (filme aqui).

Toda a cena me lembrou a final da Taça de 2018. Sabe-se o ambiente tétrico em que o Sporting foi jogar, não o descrevo. No final do jogo a equipa subiu à tribuna para receber as medalhas de finalistas vencidos. As imagens televisivas chocaram-me imenso: hordas de adeptos sportinguistas juntos à escadaria do Jamor insultavam os jogadores (e técnicos). Não foi só o vociferar insano que me espantou, foi o fel, o desespero daquela gente por uma mera derrota de futebol, ainda para mais tida naquele surreal contexto pós-Alcochete. Um desespero ululante de uma merda de gente que leva uma vida de merda e que na merda de intelecto que tem ainda sim pressente, de modo difuso, a merda que é e a merda que vive. E que uiva essa verdadeira desgraça – desgraçados desengraçados que são – nos campos da bola.

Ler mais

Escravismo e actualidade

mocambique-traficantesarabes

Tenho andado arredio disto do bloguismo. Escrevo outras coisas, menos ligeiras. Caso alguém tenha interesse (e paciência) coloquei agora na minha página da rede Academia.edu um texto que acabo de concluir: José Capela e a violência estruturante: o escravismo em Moçambique e a sociedade actual.

Se alguém o ler e me quiser enviar comentário ou crítica muito agradecerei.

Estudantes de Bruxelas e Alterações Climáticas

21328982_k4c9u

Há dois meses aqui botei um texto sobre uma manifestação em Bruxelas, cerca de 300 estudantes liceais a reclamarem mais e melhores políticas de protecção ambiental. Fi-lo com esperança, a de que a nova geração possa movimentar-se obrigando a algumas necessárias e urgentes alterações nas práticas produtivas e consumistas. (E fi-lo com orgulho, vendo a minha filha integrar-se activamente numa acção cívica. Ainda para mais porque me enviou uma bela fotografia que lhe fizeram durante a manifestação, que usei, pai babado, no postal. Tal como usei um trecho do belo texto que ela escreveu para aquele movimento).

Ler mais

Parabéns meu querido Tintin, nos teus 90 anos

tintin

Hoje o Tintin faz 90 anos, que bela idade. E por ele parece que o tempo não passa. Continua lindo, enérgico, cavalheiro pois cavaleiro dos pobres e desprotegidos. E tão actual – acabei de reler (pela quantésima? vez) “A Orelha Quebrada”, um espanto do tão contemporâneo que é, sendo também jovial, arte de associação que se perdeu.

pubxx

E foi aqui, no Petit Vingtième (jornal católico. Ou seja: belga) de 10 de Janeiro de 1929 que o Tintin se apresentou. Na sua viagem ao país soviético. “Anti-comunista” disseram-no, como se isso defeito e não extrema qualidade. E por isso alguns,  foucauldianos tapiocas-alcazares, ainda o invectivam, apontam-lhe pústulas e rugas, inventando-lhe outras ditas malevolências.Comemoro-o, sempre: hoje relendo, com a alegria de sempre, “As Sete Bolas de Cristal” e “O Templo do Sol”. Mergulhando, com felicidade, naquela espantosa actualidade.

Deixo aqui Hergé, o avatar de Tintin, a contar como apareceram:

Viva o Tintin.

Viva Hergé.

E viva eu …

haddock-tintin

E para quem tiver meia hora para dedicar à história aqui deixo

 

Carvalho da Silva

Carvalho da Silva, que chefiou a CGTP, fez setenta anos e o DN fez-lhe uma entrevista a esse propósito. Interessante. E um belo diagnóstico sobre muito do ambiente reinante em Portugal, o país dos “afectos”, do “consenso” (e, em tempos, da necessidade da “bipolarização”): “Vivemos num país em que o conflito é considerado uma anomalia, quando não é.

Chapeau!

Celo de Sousa

marcelo_rebelo_de_sousa

A seguir a Sócrates, Celo de Sousa é o político de expressão nacional que mais abomino no rincão. Ou seja, o que julgo pior fazer ao país. Sim, pior do que os corruptores siameses Campelo/Portas, ou o insuportável Louçã, o stôr Nogueira ou o “florentino” (as known as filhodamãe) Augusto Santos Silva. Ainda assim surpreende-me a baixaria (e é difícil que um PR que muda em cuecas em público possa baixar mais baixo) a que ascendeu esta semana passada. A minha atenção para o facto é convocada por um comentário aqui no DO. Na mesma semana em que, em verdadeiro delírio popularucho, telefona em directo para a estreia de um programa de entretenimento televisivo – certo, a apresentadora é uma balzaquiana interessante, mas menos apetecível do que a do concorrente “Praça da Alegria”, já que o assunto é convocável -, os serviços de Celo de Sousa esqueceram o falecimento de Joaquim Bastinhas, figura relevante da cultura nacional. Googlei e confirmei. Bastinhas, exímio cavaleiro, e genro do incontornável Comendador Nabeiro (que tive a honra de conhecer em Maputo, quando integrou uma comitiva de um predecessor de Sousa), era uma figura popular e expoente de uma prática cultural tradicional portuguesa. Se fosse um futeboleiro Sousa iria abraçar a sua prole.

Mas o BE resmunga? O PAN protesta? Celo cala-se. E telefona à “Cristina”. O povo, em especial os seniores, demente ou proto-demente, rejubila. Os outros? Já lá não estão.

Pós-Tondela

little nemo

(Postal para o És a Nossa Fé)

Tocou o despertador e caí da cama, coisas de Tondela. Sei que passo do 80 para o 8 (vá lá, do 40 para o 8, que também não estava assim tão entusiasmado). Há tempos aqui mesmo anunciei que ia comer (e comi) o meu gorro para me penitenciar da desconfiança que tivera quanto a este projecto-Varandas. Pois gostei da abordagem de Keizer, futebol de ataque, golos, descompressão dos jogadores – e tão necessária era, depois do stress provocado pela tacticose de Jesus e do tétrico 2018 – e, talvez acima de tudo, da confiança nos miúdos, nos ex-júniores como gosto de continuar a dizer.

Ler mais

Preconceitos e Judite de Sousa

21307816_noocl

Nos dias actuais vigora a ideia de que não se pode ter preconceitos – algo que parece ser sinónimo do iluminismo, qualquer coisa como o cume da evolução da inteligência humana, da razão. E, assim sendo, urge que deles nos depuremos. E isso deve ser exercido também nas formas de tratamento, como nos dirigimos aos outros, como os nomeamos. Mesmo em relação aos que nos são mais próximos. Pois essas formas estão impregnadas de desvalorizações, relações de poder implícitas ou explícitas, categorizações que nos hierarquizam e a tantos amesquinham, mesmo  violentam. E nisso, por vezes, somos surpreendidos com as oposições que, cândidos, geramos. Muito me lembro do meu espanto quando, há cerca de 15 anos, uma colega antropóloga, feminista radical, me invectivou violentamente por eu ter referido, com evidente desvelo amoroso, “a minha mulher”. “É tua propriedade? és dono dela?“, clamou, La Pasionaria do género … Eu ainda tentei contribuir, anunciar a minha certeza (empírica até) de que me seria dedicado aquilo do “o meu marido” (ou até o mais coloquial “o meu homem”). Mas de nada serviu essa tentativa de defesa, e a inexistência da minha auto-crítica pública por esse “desvio de direita (machista)” esfriou o nosso relacionamento.

Ler mais