Um outing no Muppet Show

piggy

Vai para aí um arraial feliz, na notícia que dois bonecos Marretas saíram do armário. E logo os mais estupores percorrem a galeria de personagens BD e animação, declarando risonhos “outings” na galeria dos heróis – o pacto de leitura que estes letrados cometem mostra-os bem limitados, até descendentes daquele tão fora de moda “neo-realismo”, não há volta a dar, é o triste fado.

Após 1989, com o final do genocidismo, a esquerda europeia gringou-se e nisso virou identitarista. A sacra aliança operários-camponeses virou mulheres-homossexuais, os livros de Marx foram para as arrecadações e Foucault passou a “ficar bem” na decoração de interiores. 

Agora mesmo, com todas estas saudações festivas ao casal de fantoches, ocorre-me – na enevoada memória, pois não vejo um episódio dos Marretas há 40 anos – que a única personagem feminina (“pessoa do género feminino e da comunidade branca”, como a descreveria um antropólogo se escrevendo no “Público”) era a vaca da porca Piggy, uma megera, desleal ninfomaníaca, egocêntrica, obesa desafinada e que, pior do que tudo, azucrinava a cabeça do seu pobre e sofrido namorado (“pessoa do género masculino e da comunidade verde, como o descreveria um antropólogo se escrevendo no “Público”). Um “must” em termos de estereótipos sexistas …

Camaradas feministas estamos à espera de quê? Agora que todos louvam a pertinência dos fantoches Marretas não exercerão a vossa crítica ideológica, não apontarão a série como uma vil manobra anti-pessoasdogénerofeminino? Ou a aliança de classe, perdão, de identidades sobreleva-se, a bem da unidade do Partido, coisa do centralismo democrático? E ficar-se-ão no elogio ao casalinho fantoche?

Das gravatas

Nos últimos 2 dias tenho lido muitos blasés lisboetas gozarem/insurgirem-se com os idiotas (eu um deles) que se preocupam com as gravatas alheias, em particular as de António Costa. Um deles, num mural que sigo com atenção, comentava citando o grande O’Neill gozando com o “engravatado” do “nosso país”. É doloroso ver esta gente, que leu e agita o Lacan, o Foucault, o Deleuze a mais o Guattari, depois o Hall e o Said, e andam no Zizek ou até mais (e se tiverem tido a sorte de serem embaixadores na Índia até conhecem aquilo dos “subaltern studies”), que continua a restringir as coisas ao “nosso país” quando se trata de analisar os actos de relação com Angola, uma óbvia mesmo que inconsciente refracção do estafado “Angola é nossa”. Ou seja, por mais Zizeks que abanem nos rodapés não saem daquilo do lusófono “podes tirar o pateta do Império, mas não tiras o Império do pateta”.
Este blaseísmo lisboeta nota-se também na propalada aversão à gravata, ao “engravatar”, ao cuidado no significante dos trajes. Sim, a gravata é um adorno, e é significante, normalmente de uma situação e de uma condição profissional. Mas adornos significantes também são anéis, brincos, as hastes dos óculos escolhidas consoante “ficam bem …” (aliás, “estão na moda”), como o são as formas de roupa, que há gente que a usa com dizeres estampados e, pior, símbolos de marca (para além da ralé que introduz metais no corpo e/ou se tatua). Todos estes blasés lisboetas, jornalistas, sub-intelectuais e até alguns intelectuais, se cuidam no vestir, se arranjam ou desarranjam consoante o local para onde vão, o encontro profissional ou pessoal a que se dirigem. E classificam (de modo muito blasé, reitero) as vestes e adornos alheios – imaginem este jpt a aparecer-lhes calçado de sandálias e peúgas turcas e o que não diriam. Ou de peúgas brancas. Mas depois gozam as gravatas.
Esta relação com as gravatas é típica de gente sem educação, não passa disso. Eu aprendi muito miúdo, antes de 1975, o que é e como se usa uma gravata. Sei-o porque foi nesse ano que, infelizmente, Vítor Damas partiu para o Racing de Santander. E porque foi com ele, meu ídolo de sempre, que o aprendi. A gravata deve acompanhar uma camisa algo larga, a regra é a de que deve caber um dedo (não mais do que um dedo) entre colarinho e gasganete. E consoante a situação, mais ou menos formal, o seu nó pode estar junto ao primeiro botão ou, desabotoado este, ligeiramente descaído. Sendo que para esta última situação se presume algum carisma ou posicionamento ideológico do seu portador. E nisto se resolve tanto o conforto como a elegância.
Vítor Damas era um guarda-redes extraordinário. Mas também um homem lindo, uma voz cava extraordinária (o Clint também, mas este é-me uma paixão adulta, enquanto Damas foi desde a minha meninice). E ensinou quem quis, ou conseguiu, também isto. Claro que os blasés, enrodilhados na sua cagança burguesota, não apanham nada.
Há um problema nisto, mas que tem solução ainda que precária: por razões profissionais passei alguns anos a significar através do uso de gravata. Ora, para homens engordados como eu a papada desequilibra o arranjo do colarinho. Temos que ter camisas grandes para usar gravata, com esta necessária elegância e conforto. Mas elas depois ondulam no corpo, pois excessivas. E é para isso que servem os casacos, a tal solução precária, para taparem o excesso de camisa.
Dito isto, ensinado isto (até porque não durarei para sempre), remato: mais vale um engravatado do que um “lusófono”. E muito mais do que um blasé (pior se lido) …

Moçambique 2018, a África desta era

joao xavier1joãoxavier2

O meu amigo João Xavier acaba de publicar estas suas fotografias, de um prédio novo na centralíssima avenida Eduardo Mondlane, em Maputo. Não valerá a pena dizer muito, são mais do que explícitas da era que se vive, em Moçambique na África global. Ao vê-las foi-me imediata a recordação da célebre foto do Ricardo Rangel, tornada ícone da denúncia do racismo colonial (esse que tantos de nós, portugueses, estuporadamente continuamos a negar):

rangel

Ao olhar estas novas imagens, não surpreendentes pela realidade que gritam, que essa é óbvia, mas sim pela desfaçatez que demonstram, estanco naquela tão bela expressão moçambicana, o “estou a chorar”.  Como é isto possível?, como decorreu o processo nacional para que se aceitem as aleivosias desta nova interacção de XXI?

Quando nós, portugueses ou europeus em geral, resmungamos com as modalidades, absolutamente predatórias da articulação chinesa com África, e com Moçambique em particular, a reacção local é imediata, aventando que isso é fruto da “nostalgia colonial”, dos tempos em que “nós” mandávamos. Mas é tão óbvio que não é isso. É certo que as relações entre Moçambique (e África) e a Europa (ou o “mundo pan-europeu”, como Wallerstein muito bem especificou) não têm sido absolutamente virtuosas, nem isentas de mecanismos de apropriação, nem decorrem simétricas. Mas é notório que, muito pelos processos de independência africanos mas não só, se geraram nas sociedades “pan-europeias” constatações e conflitualidades, preocupações ecológicas, derivas desenvolvimentistas, ideologias democratizadoras (sistematizadas na “condicionalidade política” que vigorou de facto durante breve período de tempo), e até uma feroz auto-crítica societal quanto às relações com o dantes chamado “Terceiro Mundo”, etc.

Este é um processo histórico, com corolários culturais e ideológicos, que a China desconheceu. E a abordagem que a sociedade chinesa, seu poder e suas empresas, tão articulados, faz a África é tipo “tábua rasa”. Com os preconceitos gritados (e não sussurrados como os de outros), com o descuido da issolidariedade óbvia, numa vertigem de apropriação de desrespeito. E nisto seria interessante perceber, o que exigiria um conhecimento profundo da sociedade chinesa actual, que estratos socioculturais chineses se envolvem na relação com África, e Moçambique, tanto na própria China como nos fluxos de migração sazonal (ou mesmo de assentamento).

E tudo isto é aceite. A troco de quê? De umas pontes, de umas estradas (tudo isso que virá a ser pago, entenda-se, e caro …)? Honestamente esta cena de tamanho profundo racismo, que mais audível (e assim visível) seria se percebendo mandarim, expressa neste apartar de “apartamentos” no centro da capital da cidade, é o grau zero da soberania. Convoca-me a dor d’alma, e nisso a demagogia, assumida: como é que no país de Mabote, de Machel, de Magaia, de Marcelino, de Mondlane, é permitida a situação que a isto conduziu?

(Ok, desabafo feito, podem vir apupar-me de “xi-colono”, saudoso do tempo em que “eu” é que mandava).

Ilha de Moçambique: 200 anos de cidade

ilha

A Ilha de Moçambique comemora hoje os 200 anos de elevação a cidade. A festa está a ser boa, decerto. Eu gostava de estar lá, com os amigos, claro. É dia de nostalgia, pois gosto mesmo da Ilha e das memórias das tantas vezes que lá fui.

Hoje muitos colocam fotos da beleza natural e humana ali. Eu deixo esta, um naco que acho significativo (talvez mais que as “belezas”): é a “fronteira” interna da Ilha, o começo do macuti. Ou, se se preferir, da “pedreira”. Da igreja pedra-e-cal (muito cimentada na primeira década de XXI por iniciativa de um padre português, para aí de Mafra ou assim, de apelido Teixeira), desce-se para a cidade. Quem perceber que é assim conhece a Ilha. Quem não perceber, os das belezas do “património” e as da baía? É mero turista, viente, venha lá de onde vier …

Costa em Luanda

costa

Costa chega a Luanda e passa revista a tropas vestido de calças de ganga e sem gravata, notoriamente “underdressed” para a situação e face à autoridade nacional que o acompanha. Os costistas mais fanáticos dirão que: 1) a viagem oficial ainda não começara. Um sofisma patético: nem todos os portugueses que chegam passam revista às tropas; 2) isto é mero protocolo. Uma patetice indecorosa, pois o protocolo é uma linguagem, é significante – e nesse âmbito, político, este acto costista é uma mera onomatopeia menosprezadora.

As relações com Angola não esfriarão por causa disto, a guerra não será declarada, os portugueses não serão expulsos aos magotes. Mas isto contará, ui se contará. É um acto sobranceiro, boçal, incompetente (ainda para mais depois do estado a que as relações entre os Estados chegaram). A sobranceria tem duas causas hipotéticas: 1) Costa é uma besta; 2) Costa estava de boa fé, não foi avisado de como seria a sua recepção, e não tinha uma muda de roupa no saco de viagem. Significando (“meaning” como se diz em português actual) isso que ou o pessoal da embaixada em Luanda adormeceu devido aos miasmas ou o de São Bento se distraiu com qualquer coisa (“o caso PGR”?).

Eu não conheço as ênfases angolanas. Mas trabalhei na viagem de Soares a Luanda e na de Sampaio e na de Guterres a Moçambique, e na de Cavaco como ex-PM a Maputo. E acompanhei proximamente várias outras de PR e PMs a Moçambique, já para não falar no corropio de governantes portugueses (no final de 1990s não havia pateta que fosse ao governo que não achasse fundamental ir às “ex”-colónias, até Vitalino Canas lá foi, e depois dele só mesmo o carro-vassoura). Ou seja, não me lixem, o protocolo é fundamental (como o sabem os profissionais desta poda), principalmente nestas relações sempre tão sensíveis.

Já aqui botei – e lembro-o para os costistas mais (e sempre) desculpabilizadores – a pequena história de Paulo Portas em Maputo. O homem era ministro e foi a Moçambique de férias. Mas na sua agenda constava também que iria à FACIM (a Feira Comercial e Industrial de Maputo, anual), interrompendo as férias por um dia. Contaram-me, não posso afiançar, que chegou ao aeroporto de Mavalane de calções,seria normal, ia de férias. Mas como tinha programa oficial incluso tinha comitiva a recebê-lo. A ficar incomodada com o destrato.

Estas coisas contam … e nós aprendemos que (até certo ponto) “em Roma sê romano”. E sabem como é que isto é interpretado? “Olha-me o tuga, que julga que é romano, nós bárbaros e aqui …. Roma”. Grande borregada. E garanto-vos uma coisa: não há um único socialista (câncios à parte) lá do aparelho que não o saiba e sinta.

Clima

(pressionando a frase “La Onu …” acede-se ao filme do discurso de Guterres. 3 minutos e 50 segundos que justificam ser ouvidos)

Um bom discurso de Guterres sobre as alterações climáticas. Duas notas, sobre a produção e a recepção. O mais relevante de tudo é compreender-se (no sentido de se aceitar a plausibilidade) que as informações sobre este processo são muito filtradas, surgem minoradas: por um lado, o secretário-geral da ONU tem que tentar dialogar com uma miríade de interlocutores, se radicalizar (“escatologizar”) o discurso perde a hipotética eficácia junto de muitos eixos da audiência. Mas há muito mais do que isso: os organismos especializados da ONU filtram a informação disponível. E os centros de investigação que os alimentam também o fazem – e muito porque perspectivas muito “pessimistas” têm efeitos perniciosos no mercado de financiamento. Os técnicos e cientistas usam, há anos, a auto-censura, dulcificando projecções para tentarem manter um diálogo frutífero com os poderes políticos (em especial os multilaterais). E no complexo institucional mundial os quadros mais radicalizados sobre esta questão – muitos devido ao simples processo do “tomar conhecimento” – vão sendo afastados dos “centros” dos organogramas. Isto são práticas com décadas. Ou seja, a situação é muito má mas ainda deve ser pior do que se anuncia, dada a confluência destes filtros todos. Para mais, as previsões integram desenvolvimentos tecnológicos que ainda … não estão. Apesar de já haver alarme nas elites institucionais estas ainda vivem num optimismo quase suicidário.

A outra questão é a da recepção. Nós, os cidadãos, não queremos ouvir falar de fenómenos que nos perturbem as perspectivas existenciais. Catástrofes ocasionais, crises epifenomenais, até animam o quotidiano. Questões estruturais já é outra coisa, são por demais complexas, cansativas, porque preocupações perenes. E, neste caso, por demais angustiantes. Sendo assim intrusivas, obstáculos ao rame-rame. Por exemplo, e ainda que português, o secretário-geral da ONU não é particularmente acompanhado pela imprensa nacional. Mas o CR7 sim. No passado sábado em Lisboa cerca de 20 000 pessoas foram votar para um presidente do Sporting. Mas apenas algumas centenas desfilarem na marcha pelo ambiente. Algo de estranho se passa nas mentes das pessoas, no como hierarquizam as suas prioridades. O anterior e o actual governo, em confluência que expressa o acordo social sobre a matéria, afadigam-se em projectos de exploração de petróleo e gás, em nome da riqueza e desenvolvimento do país. Correntes de pensamento ditas liberais negam a plausibilidade destas alterações climáticas advindas da industrialização – lembro do meu estupor, há mais de uma década, quando surgiram os liberais na internet portuguesa, e acima de tudo no blog Blasfémias, o chorrilho incessante de asneiras sobre a matéria, acicatadas pela discussão do protocolo de Quioto e no apoio ao bushismo, de facto assentes no inculto dogma, que julgavam o cerne do liberalismo, “o entrechoque dos interesses individuais é virtuoso” e como tal nada de tão mau disso pode surgir.

Dentro de algumas décadas analisar-se-á esta nossa época, mundial. E decerto que uma das perguntas cruciais será a do “como é que tanta informação, tanta formação, tanta riqueza, promoveram tamanha alienação”? Vai ser muito difícil explicar.

A Hungria e o social-fascismo

France Europe Hungary

Face à longa deriva húngara contra os princípios e tratados que sustentam a União Europeia, o Parlamento Europeu votou um excepcional procedimento contra o governo de Orban, o decano da extrema-direita no poder no interior da UE. É um momento fundamental, a defesa de uma democracia húngara mas, mais do que tudo, acto (e nisso também símbolo) de combate à vaga anti-democrática europeia – para cuja definição o termo “populismo” é manifestamente insuficiente.

O PCP votou contra. Pode surpreender se recordado que Orban já em jovem militou contra o líder comunista Kadar. E que foi o desabamento do regime húngaro o toque de finados do “bloco de leste” em 1989 – quando a Hungria abriu a fronteira com a Áustria e aconteceu o imediato êxodo que teve “efeito dominó” -, que culminou na desagregação da URSS, esta ainda este ano louvada por Jerónimo de Sousa. Ou seja, à primeira vista nada associaria o PCP ao actual poder húngaro, e até se poderia perspectivar um acinte simbólico.

Mas este voto é relevante por duas vertentes. A política é óbvia, o PCP diz não reconhecer à UE autoridade e legitimidade sobre direitos humanos e democracia. Na realidade o PCP refuta autoridade e legitimidade à UE, é só isso. Expressa, neste momento tão simbólico, a sua aversão à união “pós-confederativa”. Sublinhando que temos um partido no bloco político governamental que é anti-UE. E não há formas retóricas que o possam esconder, quando nem para votar contra um governo de extrema-direita o PCP cede nesse princípio.

A segunda questão é ideológica, de até pungente cegueira ideológica. Ao refutar à já algo acossada UE qualquer legitimidade política para afrontar a vaga anti-democrática, o PCP está, 80 anos depois, a reciclar a Terceira Internacional Comunista. Na desconsideração das democracias, em particular dos sociais-democratas, como “sociais-fascistas“, não os apartando dos movimentos nascentes nazi e fascistas. A história foi o que foi, foi vivida e foi escrita. O PCP nada disso retirou.

Um último ponto: o PCP sempre teve fama (e algum proveito) de ser ortodoxo e monolítico. Este voto de ontem mostra bem que isso (já) não é verdade, pois são evidentes as contradições. Devidas a luta de facções internas ou mera deriva em cabotagem, o futuro próximo o dirá. Pois é uma total contradição de termos, políticos e ideológicos, viabilizar um governo socialista (efectivamente “social-democrata”) – que não é uma “frente popular”, será muito mais um “compromisso histórico” -, pois “contra a direita”. E num âmbito europeu considerar que este tipo de articulação é impossível, que os poderes democráticos não têm legitimidade para enfrentarem a “(extrema)direita”. É um desnorte.

A Serena e o egípcio

4FFB0FA500000578-0-image-a-55_1536580740609

As “feministas” de hoje (acompanhadas de uns pobres patetas que também assim se pintalgam) continuam a rugir no sofá contra o árbitro de ténis machista porque este persegue as mulheres (negras, ainda por cima), como se comprovou ao ter penalizado a número 1 do ténis (negra ainda por cima) tal como o fez ao número 1 do ténis (apesar deste ser branco), um breve episódio deste final da “estação estúpida” que tanto assim se mostra viva nestes identitaristas.

Comparativamente os efeitos de outra notícia mostram bem a hipocrisia deste feminismo (racialista) que para aí anda. Uma pobre alma egípcia foi trabalhar para um hotel na Arábia Saudita, estupidamente filmou-se a comer com uma colega (atenção, não é comer a colega, é comer com ela) e colocou o filme numa rede social (vale a pena ver o filme, na sua candura sem-gosto). Foi preso, pois ali não se pode comer com mulheres desacompanhadas!

As “feministas” neo-comunistas e os pobres patetas pintalgados  dizem algo, afadigam-se em partilhas, em veementes protestos? Nada – a agenda deste lumpen intelectual é o “afrodescendentismo”, que se lixe o egípcio (apesar dele próprio ser afrodescendente mas que interessa isso, o que vale é ser “negro”, o resto vale nada) mais a atrevida da árabe, não é assim?

A notícia ainda é mais interessante, pois o malandro do egípcio não só é acusado de ter … comido com a colega como também de desempenhar funções vedadas aos estrangeiros, isso de trabalhar num hotel e ter acesso ao pequeno-almoço. Os camaradas sindicalistas, herdeiros do internacionalismo proletário (ainda que nem todos gostem de “”escurinhos”)? As boas almas que transformam todos os imigrantes na Europa em refugiados? As eurodeputadas que nazificam todo os que se opõem à abertura de fronteiras, e querem restringir direitos aos imigrantes? A clique de tudólogos e seus admiradores sempre atreita a criticar qualquer proto-desmando dos EUA/UE/Austrália e ilhas adjacentes (safa-se o Canadá) com os “refugiados (económicos)” que ali/aqui acorrem? Alguém desses núcleos diz algo sobre estas condições, estas barreiras laborais? Nada. Que se lixe o sacana do egípcio, e os como ele. Não desrespeitasse a lei e a identidade cultural lá do sítio.

Esta “nossa” gente é mesmo miserável.

Antropologia

serena

Ignorantes todos o somos. E um francês avisou, há tempos, que quanto mais conhecemos mais percebemos o quanto ignoramos. A ignorância é assim um estado natural (universal), não há volta a dar-lhe.

Brutos todos o somos, primatas omnívoros aos quais cresceu o órgão da angústia devido à vertigem de sermos bípedes (se não foi o Desmond Morris a hipotisar esta, bem que poderia ter sido). É assim também um estado natural (universal), tal como o das porcas que torcem o rabo.

Agora, pirosos não. A piroseira é já um estado da Cultura, um ganho civilizacional uma particularidade que é conquista da História.

Serena Williams estava a receber conselhos do seu treinador, coaxam os símios. A Serena Williams estava em coaching com o seu couche, pirosam os pirosos.

É assim a Evolução Humana neste Antropoceno.