Abaixo de tudo

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Uma fotografia destas dá pano para mangas? um texto a la semiologia, sobre a reapropriação simbólica? uma invectiva comparativa (Paulo Portas de punho erguido a debitar o FMI do Zé Mário Branco)? uma crónica de café sobre o como os portugueses “inscrevem”, qual José Gil? Um peludo e carnal palavrão, como se em blog individual? Ou um postal de facebook, como o bloguista jpt:

Quem nos deu a esponja para apagar o horizonte? (…) Não sentimos o cheiro da putrefacção divina? (…) Com que água nos poderíamos lavar?” (…) Que ritos expiatórios, que jogos sagrados teremos de inventar?“, retirei de um livro de auto-ajuda, julgo que de Pedro Chagas Freitas (tenho a minha nota de leitura referência incompleta, não posso agora afiançar). Sim, sei que milhares pulam ali. E trauteiam. Ainda assim? Não, é mesmo por isso mesmo. Esta merda (sim, os Xutos. E o resto …) está mesmo morta. Está é mesmo mal enterrada.

Mas não, uma foto destas não é pano para mangas. É um rolo de papel higiénico. Imundo, usado.

Adenda: os meus CDs dos Xutos acabam de ir pela conduta do lixo abaixo. Aqui no Delito de Opinião deixei um textito em homenagem ao Zé Pedro, no 1 de Dezembro de 2017, aquando da sua morte. Apaguei-o agora.

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Muito para além do Sporting

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(Texto que coloquei há dias, em versão algo diferente, no És a Nossa Fé. Deixo-o aqui por desafio de uma leitora/comentadora de ambos os blogs).

Por antipático que isto pareça aos sportinguistas, em especial neste período de exaltação clubística, não “é ao Sporting que devo lealdade e fidelidade”, como tantos reclamarão, em registo algo “futebolês”, como factor de legitimidade opinativa e, acima de tudo como invectiva aos trabalhadores jogadores de futebol que estão a rescindir os seus contratos laborais. Devo “lealdade …” indiscutível à Pátria (ao país, como prefiro dizer), à minha família, ao meu parentesco espiritual (os meus amigos). E devo lealdade a quem me rodeia, como ser humano, e de forma mais explícita no âmbito das relações laborais. [E junto, tipo nota de rodapé, que abomino o conceito de fidelidade, que entre pessoas é o refúgio dos medíocres – deixemos agora de fora a vida conjugal, que cada um a viva como quer].

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Apocalipse Já

Apocalypse-Now

Eu era adolescente mas ainda me lembro, de modo algo vago. Há quase 40 anos surgiu uma das melhores campanhas políticas, o dístico “Eu não tenho culpa, não votei AD”. Pois, de repente, no meio daquela crise, ninguém assumia ter apoiado o governo maioritário. Certo, houve uma réplica, o “Eu sou AD, eu trabalho”, outro dístico – antes das redes sociais as pessoas afixavam nas roupas, usando-as como “murais” -, pujante mas com menos sucesso.

O que se passa no Sporting Clube de Portugal é um pouco o mesmo. A “crise” não o é mas sim um descalabro. Um Apocalipse, Já. E todos nós vamos organizando a nossa amnésia, numa espécie de “Je ne suis pas Bruno”. Mas a realidade é que Bruno de Carvalho foi reeleito o ano passado, nas eleições mais concorridas do centenário clube, com a maior percentagem de votos de sempre, se em eleições com listas concorrenciais. Foi sufragado pelos sócios, aclamado pelos adeptos. Alguns desgostosos com o seu estilo. Mas poucos, muito poucos, opondo-se ao conteúdo. Crentes, lúcidos, que “a forma é conteúdo” – e refiro o meu querido amigo Miguel Valle de Figueiredo, sportinguista profundo, meu co-bloguista, que desde o surgimento de BdC me causticou pelo meu estuporado apoio à personagem.

Explicações para a ascensão do “brunismo” serão várias. As internas ao clube, ao agora dito “Universo Sporting” são óbvias: o apoucamento do clube nas últimas décadas, a míngua de títulos no desporto-rei, a redução das suas modalidades, e também o desbaratar do património fundiário e a profunda crise económica.

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A informação da RTP

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 (Rohm)

Em Portugal há um pequeno movimento fascista. Não exactamente um partido, mais uma turba holiganesca, “cabeças rapadas”. Convirá lembrar que até Hitler mandou exterminar os seus SA, dos quais estes são epígonos, por desnecessidade do seu radicalismo desordeiro, da sua bestialidade (e, é certo, das ambições do seu chefe, Rohm, que aqui vos deixo em imagem).

O seu chefe foi condenado a 10 anos de prisão e cumpriu 6, penas muito pesadas em Portugal, mostrando a radical marginalidade deste universo – um dos crimes pelos quais foi condenado refere-se a um assassinato por motivos racistas (pelo qual foi condenado 13 anos depois do acontecido, o que mostra a inércia judicial portuguesa). Saído da prisão prepara um “novo” partido. E para captar visibilidade para a sua agenda anuncia a sua candidatura a chefe de uma claque do Sporting – à qual nem sequer pertence -, estrategicamente aproveitando o burburinho que a crise no clube tem provocado.

A RTP, serviço público de televisão e de informação, apresta-se a ir ouvi-lo “sobre o Sporting”, dá-lhe tempo de antena, visibilidade. Se eu apupar esta abjecção da informação da RTP dirão que apelo à censura. Se eu ripostar aludindo à sageza sobre “critérios informativos” (alguma vez alguém se dedicou a reportar eleições em claques?) responderão, altaneiros, que isso é com eles, oficiais do ofício. Se eu aludir a que eles, RTP, vivem de um esbanjo monumental dos impostos portugueses dirão que sou um “neoliberal” (“lusotropicalista”?). Se eu lhes disser que são uns colaboracionistas são capazes de se ofender (e merecem todas as ofensas, toda a “violência verbal”).

E se eu lhes disser a verdade – que estão apenas preocupados com as audiências, e por isso fazem tudo – negarão. Mentindo, sem qualquer vergonha. E sem qualquer deontologia, essa que lhes veta, como jornalistas, a prática da “inverdade”, como agora se diz.*