bruno

(Postal para o És a Nossa Fé, ontem, 15 de Maio de manhã, antes do AlcocheteGate)

Já escrevi que não creio que Jorge Jesus seja a opção adequada para técnico da(s) próxima(s) época(s). Seria normal, após o planeado triénio de trabalho e de insucesso face às expectativas, que o clube inflectisse na sua condução. E que o próprio treinador entendesse a legitimidade dessa opção.

Mas toda esta rábula, histriónica, em torno do treinador, plantel e médico, é verdadeiramente um delírio. Que tudo seja acompanhado de ameaças físicas aos jogadores por alguns elementos do sector holiganesco, acicatados pelo ambiente promovido ou, mesmo, instrumentalizados (o historial das tarjetas encomendadas e o inaceitável episódio do foguetório contra Rui Patrício sem qualquer reacção directiva assim o indicia), é ainda pior. Mas o que será verdadeiramente demonstrativo do estado psicótico da instituição é o destino do médico da equipa de futebol. Consta que também sairá. Ora a sua competência e profissionalismo nunca estiveram em causa. Se sair será a “prova provada” que toda esta barafunda, e previsível remodelação, tem apenas um fito: depurar o clube daqueles que não estão totalmente brunizados.

Isto não é um “burnout“, não é uma doença. É uma concepção política, de exercício do poder, e muito habitual. Tendente ao poder absoluto, que se pensa iluminado. Não apenas inteligente. Mas iluminado, único. Que substitui o apego à instituição, neste caso ao Sporting, pelo apego a si-mesmo, um desmesurado “eu” que confunde com o colectivo. Neste caso trata-se do tal “brunismo”. E que se alimenta, exclusivamente, da anuência, tendencialmente ululante, dos circundantes, feitos fiéis. E é por isso que há toda esta encenação histriónica, esta publicitação gritada, em fascículos, qual Snapshat, dos assuntos do futebol, para exaltar os ânimos, fazendo-os concordantes. Isto não é “ser maluco”, não é um burnout, é um bruning, uma maneira de viver e de sobreviver.

Acontece que nada disto é novo na história. É-o no Sporting. Mas não no resto da vida, da história e da actualidade. Mais tarde ou mais cedo acaba sempre da mesma forma. Na ruína dos que vivem sobre esses projectos unipessoais. No afastamento dos fiéis (“A revolução é como Cronos, ela devora os seus filhos“, disse um revolucionário francês quando caminhou, ele-próprio, para a guilhotina, e pensaram-no depois tantos outros fiéis). E na debandada dos adeptos, cansados da autocracia, desmandos e irrealizadas utopias. Pois todos (à excepção de uns quantos indefectíveis, normalmente os mais irreflectidos) temos um ponto limite de concordância, de fé acrítica, variável para cada um, mas existente. Já antes o disse, Bruno de Carvalho será apeado (como César, nos idos de Março, então simbolizei). Não é uma hipótese, é uma certeza. Trata-se agora de saber se mais tarde ou se mais cedo. Se com mais custos se com menos custos para o clube.

Que seja com menos custos. Económicos. E, acima de tudo, reputacionais, espirituais. Ou seja, esqueça-se o tal de burnout, uma “narrativa” até solidária. E afirme-se o BrunoOut!. Já.

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