cabrito
(Os Cabritos Comem Estão Amarrados)

A “narrativa” (termo que Sócrates impulsionou) é simples: o ex-PM aldrabou tudo e todos, e ninguém sabia de nada. E ninguém o poderia ter percebido, tamanha a sua manha. É isso que quer dizer o (inenarrável) recente texto de Fernanda Câncio. Como corolário, quem dele desconfiou e/ou denunciou, e barafustou com tamanho silêncio por parte dos apoiantes do “manhoso”, dizendo tudo isso denotar uma dimensão sistémica, em termos em regime político e no conteúdo do partido socialista, é entendido como defeituoso ou doente. Como “renegado” – como no execrável texto de Alfredo Barroso (que esquece, já agora, que os antigos secretários-gerais do PS, Sampaio e Ferro Rodrigues também saíram da “extrema-esquerda”, após um simpático jantar de burguesotes lisboetas, e transitaram para a calmaria da social-democracia do “arco do poder” – exactamente, sociologica e ideologicamente, como aqueles que quer “denunciar”). Ou como “corrupto intelectual” e “invejoso”/ressabiado, como Porfírio Silva, ao que julgo assessor de Costa, intitula António Barreto neste tétrico texto. Em suma, só por malevolência moral ou defeito psicológico é que alguém poderia desconfiar do manhoso. E daqueles que o rodearam e apoiaram.

E também só esses defeitos mentais ou doenças éticas nos poderão levar a interrogar se todos os que estiveram com Sócrates, no governo e nas estruturas do poder, foram cúmplices da ladroagem e de todas as práticas políticas inerentes à necessidade de se manter e reproduzir no poder para poder continuar a … “ladroar”. A “comer”. Ou se foram apenas coniventes, num “encolher de ombros” auto-justificativo, subordinado ao exercício do poder com outros objectivos do que o tal “ladroar”. Ou se foram apenas cândidos. Só mesmo a tal deficiência moral ou instabilidade psicológica nos poderá fazer afirmar que nenhum desses 4 Cs (Cabritos, Cândidos, Coniventes, Cúmplices) tem perfil para estar num cargo público. Muito menos no governo.

À narrativa de que era impossível perceber Sócrates, tamanha a sua manha, e que por isso tantos passaram década e meia a defendê-lo, publica e privadamente, com todo o denodo, deixo um exemplo pessoal. O meu amigo Miguel Valle de Figueiredo (mvf), fotógrafo profissional, tinha um blog, o “Restaurador Olex” (depois blogámos juntos num outro blog, o “ma-schamba”). Em Janeiro de 2006, há 12 anos e 4 meses (!!!) – andava eu embrenhado em Moçambique -, o mvf escrevia este “Muleta Negra”. Está lá quase tudo do que se sabe hoje: as aldrabices académicas, a arrogância, os gastos excessivos, a óbvia inadequação ao posto. Repito, há 12 anos e 4 meses! O mvf, que não tinha acesso a qualquer “mentidero” ou a “gargantas fundas”, escrevia o que tantos botavam, tanto que até em Moçambique isso se percebia. Isso de que Sócrates era … Sócrates.

Agora 12 anos depois querem-nos fazer crer que o defeito está em nós, “renegados”, “invejosos”. “Fascistas”, até. Quanto a eles, os 4 Cs, são desinteressados participantes no progresso do país, ao contrário de todos os outros, perversos militantes da desgraça futura. Foram eles apenas, e lamentavelmente, enganados por um manhoso, actuando em conúbio com o tal amigo Silva e um prestável motorista. Mas só por esses.

Querem, é óbvio, mais 12 anos de “cabritagem”. Depois, claro, dir-se-ão C..ândidos.

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