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Foram anos a feder: sabia-se de como aquele governo se intrometia na comunicação social, sempre um péssimo sintoma; sabia-se das investidas na banca; desconfiava-se, muito para além do normal, das manigâncias económicas (estas que agora causam isto), ainda que não tanto, caramba; sabia-se da trapalhada da licenciatura (“ele goza com isso no conselho de ministros“, dizia-me quem lá se sentava); sabia-se do imundo nepotismo, esse que é marca d’água do partido.

E sabia-se também de todos os “socialistas” e “companheiros de estrada” proto-pós-BE, a defendê-lo e ao “estado da arte” até à última: o eixo lisboeta de verniz “intelectual” e moderno (os do blog Jugular são uma boa caricatura desse lixo cívico), os académicos (tudo trocando pelo “grande ministro Mariano Gago”), os “quadros da função pública”. Defenderam-no(s) sempre, a todo o custo. Durante o seu poder, e também nos anos seguintes. Incensaram-no quando regressou, já feito Autor, de Paris, ressuscitaram-lhe o PEC 4, saudaram o Mestre Eduardo Lourenço feito seu prefaciador, louvaram-no especialista de Rimbaud, quiseram-no em Belém. Os que com ele estiveram no poder saíram em grande: para tutelar bancos rebentados, para embaixadores, para louváveis administrações não executivas, etc. Que as sinecuras foram várias. E tantos estão outra vez no poder – o execrável Capoulas, Augusto Santos Silva, Leitão Marques, Costa, claro, e tantos outros menos conhecidos.

E nisso tudo uma imensa arrogância, contra os “ressentidos”, os “ressabiados”, os “invejosos”, os da “direita”, como chamam, que se debatiam com aquele estado miserando das coisas.

Agora os Galambas e os Carlos Césares vêm dizer que têm “vergonha” destes corruptos. É um “in extremis”, a mostrar que já não há esperanças em safá-lo. E José Sócrates anuncia, como se ofendido, que abandona o partido socialista.

Eu nem me rio. Tamanho o desprezo. Pelos Pinhos & Sócrates. Mas também, e se calhar até mais, pelos Galambas. E por todos os que os apoiaram até ao fim, até mesmo hoje. Nos últimos tempos, já em desespero de causa, alguns já em silêncio, resguardando-se, outros apenas agarrados ao “segredo de justiça” e, em última esperança, a quererem mudar a PGR, ainda “a ver se pega”. E nem têm vergonha de serem o pouco que são. É vê-los aí, ufanos. Perdão, ufan@s, como tantos pavoneiam.

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