O museu municipal de Lisboa

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Do novo museu municipal de Lisboa: falta-me a paciência para blogar um texto mais informado, e já há muitos escritos sobre o assunto. Assim fico-me pela rama. Antes resmunguei (no FB) que anda o país há um século a comemorar-se através dos descobrimentos e poderia descansar um bocado disso. E também me ocorre que não é à Câmara Municipal de Lisboa que compete marcar o ritmo auto-celebratório.

Já botei a minha opinião: 1) não se faça o museu (por motivos de higiene identitária). E trate-se melhor dos existentes (por exemplo, o museu da banda desenhada, municipal, há anos que não tem financiamento suficiente para se actualizar); 2) em tendo que o construir (por causa dos “turistas”, diz-se; por causa do Medina a São Bento, percebe-se) que seja um museu da história do conhecimento (“Cosmografia”, digo); se o nome tiver que recair na história pátria que seja a “Casa Fernão Mendes Pinto”, porque “Peregrinação” é o texto da verdadeira expansão, mesmo que não rime como os Lusíadas.

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Vilhena

nº 3, 15 junho 1974 a

Mãos amigas enviaram-me um documento (em power point) com uma selecção de cartoons de José Vilhena. Sim, até para um rústico como eu Vilhena por vezes avança em demasia no mar do Brejeiro. Ou talvez tenha sido um visionário, percebendo há 40 anos o que viria a ser. E qual a única forma de o mostrar. Pois, com efeito, há nele momentos de grande lucidez.

Veja-se este cartoon. É a capa do número 3 da célebre “Gaiola Aberta”, Junho de 1974 (o desenho original tem, à nossa esquerda, Palma Carlos e Mário Soares, amputados da versão para a capa). O que é interessante é o central. Reparem bem, diz o militar (óbvia representação do MFA) para a república (o povo, claro) “Já devíamos ter tido a criança há mais tempo, querida.”. Responde ela, com um ar algo enfastiado, “Tu não quiseste …”. Ainda hoje, 44 anos depois, em cada 25 de Abril, temos que levar com as lérias dos “gloriosos militares de Abril” e cada vez que alguém diz o óbvio – eles eram o sustentáculo voluntário do regime -. há logo impropérios dos folcloristas da “democracia”. Vilhena, perseguido durante anos pela censura, descarnava o mito em construção, logo dois meses depois do seu início. Não há dúvida, vale bem mais, com a brejeirice e tudo, do que estes patetas de agora.

Eutanásia

“Lá” em Portugal anda(ra)m a discutir a legalização da interrupção voluntária da existência. Sobre o assunto propriamente dito pouco tenho a acrescentar: as algumas dezenas de pessoas amigas que seguem este mural (e ali no blog) sabem que metade dos dias da semana sou grande defensor de uma eutanásia muito alargada a doentes políticos (nos outros dias sou um plácido velho hippie, pacifista de charro na boca, lembro).

Ainda assim quero referir 3 coisas: 0) desde que a minha filha tenha 18 anos – “prontos” direi eu nesse 25 de Maio – concordo que me eutanasiem se a dor de dentes for por demais incomodativa, até porque “não se perde grande coisa”; 1) ainda que toda a gente faça questão de opinar sobre o que gostaria para o seu destino isso é totalmente irrelevante. Está-se (esteve-se) a falar dos modelos que a sociedade escolhe para se regular, não do que cada um de nós, patetas, “acha” sobre si próprio. Que cada um rebente como quer, desde que não fique a cheirar mal, que importa isso? 2) faz-me jovem que os pós-comunistas e afins andem por aqui a anunciar que os “neoliberais” irão matar os velhinhos: quando era puto era o que “velhosliberais” diziam dos pré-pós-comunistas, aquela da “injecção” atrás das orelhas. Os tempos mudam, os imbecis também, a pandemia de parvoíce continua; 3) Se não é esta matéria assunto do parlamento para que serve um parlamento? Para votar a lei da eutanásia dos cachorros e gatos? A gente vota em representantes exactamente para que eles votem sobre matérias cruciais. Se eles são umas bestas, se os Joões Galambas são umas bestas, é porque vocês também o são. E é por isso que 0) ..

A RTP

Augusto Inácio, funcionário do Sporting, é entrevistado na RTP, estação televisiva do Estado. Um escroque que lá trabalha como realizador faz um “zoom” sobre o seu caderno de apontamentos – o que serve para a imprensa divulgar o que ali estava. Os jornais que o divulgam são uma merda, os seus jornalistas um bordel? A gente já sabe. Mas a RTP é do estado, os empregos daquela gentalha sobrevivem por um défice gigantesco (o teu também, meu amigo) que todos pagamos, e o objectivo é fazer coisas destas? Nem o realizador está despedido (e já devia estar) nem a direcção de informação veio qual Egas Moniz para ser decapitada (e merece-o, sem dó nem piedade) nem a administração ou a tutela vieram dizer que o seu ADN é a luta contra a sem-vergonha e esta javardice. O sindicato dos Palmas Cavalões, a malta jornalista? O silêncio, compatível com o que são.

Portugal

Li ontem o “Expresso”, a minha estreia em 18. Um artigo de alguém que desconheço, Luís Marques, no suplemento de Economia, termina assim: “O plano de controlo da Justiça e dos média, forjado na ressaca do processo “Casa Pia”, era uma condição para manter e reforçar o “capitalismo de compadrio”, cuja origem remonta a 1983, quando se formou o governo do Bloco Central. Foi aí que o PS e o PSD definiram um modelo de controlo do aparelho de Estado que se manteve até à bancarrota de 2011. Um modelo assente na repartição dos lugares-chave do sector empresarial do Estado, na promiscuidade entre negócios e política e entre os interesses partidários e os cargos de nomeação governamental. Ou seja, um pântano de opacidade e corrupção“. 

Nem mais. E a lembrar-me os “intelectuais” lisboetas, que apoiam este lixo apenas na expectativa de financiamentos estatais, para eles próprios e suas corporações, invectivando de “ressentido”, “invejoso” qualquer um que diga este óbvio, e que não conheça as Cancios da Lisboa cool. Com as suas prosápias de rodapé são muito (democraticamente) incultos. Mas acima de tudo é uma geração corrompida. De colaboracionistas.

O ministro da ciência

Ontem li o “Expresso”, o que não fazia para aí há um ano. A melhor de todas é a do ministro PS da Ciência que assinou a petição contra ele próprio. E ainda não foi demitido. E as pessoas daquele meio profissional, corporação tão ligada àquele partido, que dizem a isto? . Sacodem a caspa da balalaica …

Bélgica

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Os obstáculos que as culturas locais colocam ao desenvolvimento são enormes, uma verdadeira tenaz. E talvez o ter estudado antropologia me faça mais sensível a esta realidade. Noto-a hoje. Aqui na Bélgica é dia feriado. Percorro as ruas e o comércio está fechado. Não são só as instituições estatais, tirando a venda de comes e bebes tudo encerrou portas. Em pleno 2018! E ainda não conseguiram ultrapassar este atavismo. Que futuro para este país?

Germano Almeida e o prémio Camões

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Germano Almeida é um bom prémio Camões. O prémio está descredibilizado, pelo fascismo brasileiro em 16, agredindo o premiado Nassar, com a patética e vergonhosa anuência do diplomata português de serviço, um verme rastejante; e pelo execrável nepotismo de 17, os eunucos acadêmicos a premiarem aquele Alegre. Germano Almeida, bom contador de histórias (sem e) é uma bela saída desse beco.

 

Alegre e Sócrates

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Agora é o “poeta de combate” Manuel Alegre que vem dizer-se incomodado com José Sócrates e uns quaisquer interesses económicos. Andou anos e algumas campanhas eleitorais sem reparar nisso.

Lembro-me que há poucos anos estava este muito indignado porque não se condecorava o ilustre ex-PM.

Enfim, Alegre é o que é, sempre foi, e “eu seja ceguinho” se isso não é verdade. Mas já papou o Camões, o traste? Vai de papo cheio. E sem ponta de pudor.

Antuérpia

E estes pequenos filmes da academia Khan são sempre úteis. Neste caso sobre o tríptico vizinho:

Adenda, fruto da experiência de facebook: “Mau feitio, apontam-me. Eu, bloguista da bola, no És a Nossa Fé, boto um postal aqui no mural, saudando a vitória do Aves e dizendo-me comovido com as lágrimas do “meu” Rui Patrício: 70 “likes”…

Eu, ateu confesso, turista Ryanair, vou a Antuérpia, estreio-me na catedral, comovo-me até às lágrimas (minhas, não as do Rui Patrício) com a “descida da cruz” de Rubens, ali exposta, uma bruta de uma obra-prima (assim a modos como a “bicicleta” do CR7 contra a Juventus, para me fazer entender), e partilho um brevíssimo filme explicativo da obra: 0 “likes”.

Mau feitio, apontam a este bloguista da bola.”