bruno

(Na passada semana o Sporting teve um solavanco auto-inflingido, uma assembleia geral de associados, que correu mal, seguida de destemperadas declarações do presidente. No blog És a Nossa Fé botei alguns textos sobre isso, os quais agrego aqui para meu arquivo.)

O fim da linha?

Há 10 anos bloguei um texto sobre o clube, “O Sporting e o “projecto-Roquette“. Resmungando contra o trajecto do clube desde que Pedro Santana Lopes fora eleito presidente. Num blog como este “És a Nossa Fé”, colectivo e clubístico, não me parece curial enfatizar possíveis dissensões e fazer intervir considerações externas às questões clubísticas e desportivas. Mas, ainda assim, explicito o que me parecia então, e me pareceu nos anos subsequentes a 2008: o Sporting era como se um micro-cosmos do país, com uma pretensa elite social (no nosso jargão, os “viscondes”) e económica (os membros das administrações das verdadeiras “indústrias” nacionais, a banca e a construção civil) a desbaratar os recursos existentes. Por razões de incompetência, falta de planeamento (de projecto clubístico e de projecto nacional), de arrogância sociológica e concomitante patrimonialismo. Nesse eixo o país “crisou”, devastado no âmbito da crise internacional de finais da década. E o Sporting, à sua escala, mirrou até temermos a sua falência económica e, quase, institucional.

Por isso tudo (ou seja, não só por razões de sportinguismo mas também por entender o clube como o tal micro-cosmos do que era o país) muito saudei a chegada do Bruno. Fui vê-lo a Maputo, onde ele foi em campanha, apoiei, bloguei, conversei, apelei. A sua chegada à presidência foi muito benéfica. Afastou um conjunto possidente incompetente e até com efeitos suicidários. Se cleptocrático ou não já não vale a pena discutir.

Sob a presidência do Bruno foi feita muita coisa positiva para o clube. Não vou elencar aqui, todos o saberão. Fala demais, diz muitas asneiras (a propósito de quê o presidente de um grande clube manda “bardamerda todos os que não são do Sporting”?), é renitente ao amadurecimento, desilude semanalmente quem anseia e até perspectiva a melhoria do seu desempenho presidencial. Mas, paralelamente, tem feito um trabalho notável. Continuo a dizê-lo. Falando para mim. Replicando aos lampiões e andrades, que tanto o atingem. E, acima de tudo, falando com os sportinguistas, tantos deles sofrendo as constantes bojardas presidenciais. Insisto, desde o Senhor Presidente João Rocha que não tínhamos um verdadeiro Presidente, em prol do clube.

Finalmente: o Bruno ganhou as últimas eleições com a maior votação de sempre e a maior percentagem de sempre aquando em eleições concorrenciais. Foi um Triunfo e o reconhecimento do seu estimável trabalho à frente do clube, reanimando-o, modernizando-o, porventura salvando-o. E abrindo frentes de combate fundamentais (face à banca, face às organizações nacionais e internacionais de futebol, face à “economia paralela” do futebol), que têm tido paulatino sucesso. O Bruno tem tudo para se tornar numa figura incontornável na história do clube. E, de facto, para isso nem sequer precisa que o “Bryan Ruiz” marque o golo decisivo. Pois, nesta senda, os triunfos do futebol sénior, o turbo do clube, surgirão. Agora ou amanhã. Ou depois de amanhã.

Contra ele movimentam-se inimigos. E adversários também. Entre os inimigos há três tipos. O sub-mundo da tal economia paralela do futebol. Mas esses são externos, podemos filtrar as suas influências. E os restos do “velho” Sporting, da tal pretensa “elite”, constantemente minando em público o trabalho. Disso deixo dois exemplos: aqui no blog há a rubrica “Pérolas de Ribeiro Cristóvão”, que disso é denotativa. É espantoso como um jornalista com simpatias sportinguistas está constantemente a minorar os méritos da equipa mais representativa do clube. No último jantar do blog aludi eu a um cronista do Record, um jurista – que me disseram fazer parte da administração do jornal -, um sportinguista que sempre ataca o clube e a presidência. Deixemo-nos de subterfúgios, as franjas da minoria sportinguista, ainda atreita à clique roquettiana e pós-roquettiana, estão constantemente a criticar e a atacar esta presidência. Mas acontece que isso é a vida das associações. Às críticas responde-se com trabalhos e sucessos, e com diálogo quando este é possível. Aos ataques responde-se com sucessos e indiferença.

E há um terceiro inimigo desta presidência. Que é o Bruno. Relapso à racionalidade comunicacional. Adverso ao auto-amadurecimento. E, evidentemente, com misticismos egocentrados. Falando futebolês é isto: o Bruno tem futebol para ser Cruijff e parece ter a cabeça do Balotelli. É uma pena, está ele nas vésperas de “passar ao lado de uma grande carreira”. E nós, Sporting, tanto perderemos com isso.

E depois há outra coisa: o Bruno tem uma total falta de noção do que é democraticidade. Pode o presidente do Sporting ter muitas razões de queixa da oposição que se lhe faz (mesmo que esta seja imensamente minoritária no seio do clube). Mas fazer um índice dos “sportinguistas aziados” é totalmente inadmissível. Podem as claques, jovens, turbulentas, festivas, e até epígonos dos sequazes de Rolão Preto, congregarem-se nessa deriva “purificadora” do clube. Mas isso não impede o que deve ser evidente: assim  não!. Que o Bruno faça um mea maxima culpa deste monumental dislate. E que arrepie caminho. Ou então cumpra-se Balotelli e siga no seu errático trajecto. Que se demita, e de vez (e não para uma rábula de convocar eleições às quais concorrerá).

Perder-se-ia o campeonato? E depois? Não estamos tão habituados a isso? Mais vale uma derrota (ou várias) do que este despautério. Pois, para isto é chegado o momento “fim da linha”. Já chega.

Adenda: leio, mais preocupado do que estupefacto, esta notícia relativa à exclusão de produtos musicais da loja verde. Não conheço os tais Supporting, agora banidos. Mas a ideia de que o presidente do clube pode proibir a venda dos discos e a utilização da música de um grupo musical porque o vocalista discordou – no malfadado Facebook – das suas propostas é absolutamente inaceitável. É a negação da vida associativa, de um século de história sportinguista, e do ordenamento democrático. E não há hipotéticos triunfos na bola que possam fazer esquecer esta aleivosia.

triolho

O triolho

Blogo há muitos anos. E facebuco (uso o FB para ecoar os textos blogais). Nisso muitas vezes me acusam de “violência verbal”. Não muito para as coisas da bola, pois as minhas irritações dedicam-se muito mais a outras facetas deste rame-rame da vida, essas que não são nada para aqui, este És a Nossa Fé, chamadas. Percebo as acusações, muita gente considera errado aquilo que reclamo, a utilização extensiva do léxico, aquilo a que se pode chamar, em termos da moda actual, a “gentrificação” do calão, do jargão. Do palavrão. Parece-lhes errado e, em particular para os que me conhecem, parece-lhes nada condizente com o meu estatuto, aquele do doutorzeco classe média vulgar de Lineu. Insisto, repetidamente, nessa necessidade do recurso ao português amplo, na insubstituibilidade dos vitupérios. Entenda-se, os cemitérios estão cheios de insubstituíveis. Mas não de termos insubstituíveis. Estes são, mesmo que em desuso, sempre recuperáveis para descrever e/ou atingir os malvados alvos que por aí pululam. Reclamo, pois, não só o direito à imprecação e ao insulto – que nunca calúnia, e é essa a única fronteira – mas, acima de tudo, o dever cidadão do insulto.

Meto este preâmbulo para que não me digam “visconde” das teclas, “amaneirado” das letras ou coisa similar a este propósito, o que me conduz o postal. Que é o da interrogação: qual a economia discursiva, qual o objectivo ético, qual a estratégia comunicacional, qual o horizonte político, que conduz um presidente de um grande clube português a convocar uma conferência de imprensa, coberta pela quase totalidade da comunicação social portuguesa, devido ao ambiente de crise auto-provocado, para anunciar aos sportinguistas e à esmagadora maioria dos portugueses, que “Eu não sou daqueles que dormem com um olho aberto. Eu quando durmo tenho os três olhos fechados“?

Alguém que me explique, sff. Porque caso contrário eu fico-me nesta ideia. A de que isto nem demencial é. É patético. Ou melhor dizendo, e que me desculpem os co-bloguistas deste És a Nossa Fé pela minha quiçá deselegante liberdade de linguagem, é uma merda. Inútil.

O triolho (2)

Como anteontem referi, neste postal, a expressão “três olhos” utilizada pelo presidente é por demais polissémica para se integrar numa economia discursiva, ainda mais confusionista quando utilizada, como o foi, num contexto abrasivo. Dá pano para mangas para o registo de achincalhamento. Como é óbvio. E distrai, mais uma vez, do fundamental. E dos secundários também, já agora. Como tal, e como se esperaria, o presidente (e não um qualquer oficial de comunicação, como deveria ser) vem esclarecer agora o sentido da expressão, obviamente inscrita neste misticismo “new age” muito em voga em alguns sectores, através do apelo dos resumos lite das religiões orientais, da pantomina astrológica e do “cientismo” absolutamente desactualizado e também impregnado de velhas crenças metafísicas, pré-científicas.

Que fique claro, não é o “triolho” que me leva a não apoiar Bruno de Carvalho, a não sobreconsiderar os seus mandatos no Sporting. Nem exijo ao presidente do clube um grande conhecimento da ciência, biologia ou medicina, nem da religiosidade oriental. Mas, francamente, para quê isto tudo? E, já agora, fica a nota, dedicada aos “paineleiros falsos púdicos” que ele invectiva (citando Pinto da Costa), a ele próprio e a todos os que têm que concordar com tudo. A de que qualquer seguidor destas tralhas “new age” deveria saber que “indú” se escreve hindu. E bastam dois olhos para saber isto.

 

leaozinho

Mea culpa

O Bruno lançou um ditirambo contra o “inimigo interno”, aquilo a que em tempos se chamou as “forças de bloqueio”. Nisso nomeou o “grupo do Império”, o deste “És a Nossa Fé”. “Império” pois nesse restaurante nos juntamos, ocasionalmente, para confraternizar. Sempre que possível com a presença de alguém do “sistema Sporting”, seja dos corpos directivos ou do seu núcleo de comunicação, e também por isso a imputação de hipocrisia que o Bruno arremete. Eu, que regressei ao blog em Setembro, fui ao último jantar acontecido. Onde esteve, convidado, alguém da comunicação social do clube. Os cerca de 20 convivas criaram um ambiente, tal e qual o dos postais de blog, de sportinguismo militante e bem-disposto. E, grosso modo, aparentando-se apoiante da presidência actual. Uns mais outros menos, porventura um ou outro nada disso, a dar o tom algo heterogéneo dos colectivos. E uns mais bisonhos outros mais risonhos com o tom brunal. Uns um pouco mais doentes com as opções do Jesus outros nelas mais crentes. E, fundamentalmente, uns mais adversos ao perverso vieirismo outros mais atentos à fenix pintocostista.

Agora chega a invectiva presidencial contra o blog, dito como prenhe de hipócritas conspiradores. O Edmundo Gonçalves reage com ira. O nosso “coordenador” Pedro Correia reage com ironia. E acredito que os outros companheiros com alguma surpresa. E até incómodo. Eu fiquei descorçoado. Compreendo que fui descoberto nesta minha missão de conspirador infiltrado. E quero aqui fazer a minha mea culpa, o meu pedido de desculpas aos meus co-bloguistas por os ter prejudicado e à imagem do blog  – e não a digo mea maxima culpa para não parecer que me estou a meter nos bicos dos pés, a querer sobressair entre eles. Pois é possível que outros tenham também contribuído para essa imagem. Mas tê-lo-ão feito inconscientemente enquanto em mim foi missão, tenho que a assumir. Pois é evidente que este meu  pendor anti-Bruno transpirou nos meus textos. Logo porque não fui eficaz no apagar da minha pegada digital, e textos mais antigos escritos no meu blog pessoal terão denunciado os meus propósitos: como este apoio à lista concorrente contra Bruno Carvalho, e ainda esta crítica à sua presidência aquando das últimas eleições em 17. Ou, antes, como quando louvei o actual presidente da república por criticar o Bruno. E, aí exagerando o meu fel contra Bruno, quando o considerei o pior português de 2013. Porventura até sendo injusto, mas então a sanha consumia-me.

Descupem-me, co-bloguistas, devia ter apagado os textos, e assim o seu eco acaba por vos poluir. Pois essas minhas posições não são esquecidas apesar das ninhas tentativas de camuflagem, como esta de Dezembro: “Mas para melhorar em absoluto é preciso manter esta equipa – dirigentes, treinador(es) – e um plantel condigno. As condições para isso são óbvias: é preciso um campeonato (pelo menos). Pois só isso acalmará as quezílias internas e a óbvia tendencial autofagia das nossas lideranças. Ganhar o campeonato é o degrau para continuar este crescimento, que tão bons frutos está a ter.”

Mas, na realidade, o que me parece ter sido a estocada final nas minhas aspirações a conspirador infiltrado foi este meu pobre postal de Setembro, mostrando-me verdadeiro “leãozinho escondido com rabo de fora”: “O problema crucial está no Sporting. O técnico Jesus falha nas competições europeias, não tem fineza táctica para estes embates. Para ele Vilar Formoso ainda é fronteira, o que talvez lhe seja questão geracional ou até défice cultural. E, apesar da massa financeira que sempre despende, aposta em jogadores insuficientes para a grandeza do clube, ainda que possam ter alguns méritos, e neles insiste desmesuradamente. Nisso desprezando a formação do clube, muito devido à sua fixação no mercado futebolístico sul-americano, sempre uma lotaria na adaptação dos jogadores ao difícil futebol europeu. Exemplos disso são a contratação absurda de Battaglia, pelo qual se pagou uma fortuna, em dinheiro, passe de Esgaio e empréstimo de Jefferson, um jogador que o próprio Braga emprestara épocas a fio a clubes secundários. Ou a vinda de Acuña, um nítido Gaitan de segunda ou terceira ordem. Ou mesmo de Coates, um central pesado e pouco esclarecido. Acumulando a tudo isso está a sua fixação em profissionais em final de carreira, andarilhos, em estados físicos depauperados e com pouca disponibilidade para se integrarem com afinco nos objectivos do clube e na sua mentalidade, na nossa mística. Será preciso recordar os paradigmáticos casos de Fábio Coentrão, um nítido fetiche de Jorge Jesus, uma espécie de sua birra, ou Doumbia, um avançado possante mas pouco dotado, já para nem falar do veteraníssimo Mathieu, aqui chegado quase tão velho como José Fonte, Pepe ou até Bruno Alves?

É com todo este défice de preparação do plantel, que ecoa também as fragilidades da organização da secção de futebol sénior e, em boa verdade, de todo o clube, que o Sporting vai enfrentar o colosso Barcelona, este apressado na senda da recuperação do cume europeu. 

Por tudo isto o meu prognóstico para o jogo de hoje em Alvalade é: Sporting 3 – Barcelona 2.

Com esta minha inépcia conspirativa, com esta minha imaturidade de “leãozinho” (o tal escondido com rabo de fora) muito prejudiquei os co-bloguistas. Muito me penitencio diante de vós, e também dos leitores, sob a forma desta “auto-crítica pública” (como diziam os marxistas), nesta minha  mea culpa (tão católica). Aguardo o vosso juízo, para que possa proceder à minha expiação.

E agora?

Nestes agitados dias houve aqui vários postais e muitos comentários. Um destes questionava, algo abespinhado, se o És a Nossa Fé passou a blog de oposição ao presidente. Vários postais, anteriores e posteriores ao comentário, já responderam. Mas regresso à questão. O blog nunca foi de apoio ao Bruno e também não se transformou em oposicionista. Aqui coexistem diferentes entendimentos, do necessário ao Sporting, do desejável na direcção. E, acima de tudo, da forma de ser do Sporting: há quem seja sócio desde a nascença, haverá quem não é sócio, há quem não perca o jogo dos juvenis de andebol, há quem seja relapso ao sofá até na Liga dos Campeões, há quem disserte sobre o Peyroteo e o Zandonaide, há quem nem saiba soletar o nome daquele italiano que joga a lateral-direito. Há quem tenha amado a Conceição Alves, há quem não faça a mínima ideia de quem é a Jessica Augusto. Há quem tenha sido atleta do clube, haverá até quem tenha sido praticante alhures. O José Navarro de Andrade deixou aqui, hoje mesmo, uma bela descrição do que nos une: um conjunto de pessoas que não se conhece lá muito bem, que se interessa pelo clube, que gosta de escrever e de opinar (o que são duas coisas diferentes), e que partilha alguns códigos, pois o blog tende a ser em tom cordato. Ou seja, se há alguma oposição aqui é à ideia de que existe algures um “barómetro” que mede a qualidade e quantidade de sportinguismo de cada um, a legitimidade de cada qual festejar, propor ou resmungar. Esta é assim uma fatia (pequeníssima) do universo sportinguista, gente oriunda de “sítios” diferentes, que pensa de modo algo diferente, unida no associativismo, no fervor sportinguista. E que não procura recompensas, estatutárias ou económicas disso, apenas o prazer do diálogo.

É importante referir isso para enfrentar a visão que defende “purgas” no Sporting: há um regulamento disciplinar, pode ser que precise de ser burilado. E chega isso. Pode ser que existam sócios que exagerem a sua sanha, em favor de visões e/ou interesses próprios. Mas não serão, com toda a certeza, a maioria daqueles que não concordam com a … maioria. Ou seja, há lacraus (Buthus ibericus ou Buthus occitanusno Sporting, como diz o presidente? Resguardem-se os bebés. Com normalidade, e sem stress exagerado, pois para além desses o perigo não é grande. E siga a vida do clube, que os verdadeiros perigos estão lá fora.

Mas convém também referir devido ao ambiente tendencialmente claustrofóbico que grassou no mundo do futebol. Acicatado pela pornográfica turba que habita nos painéis da tv mas que está para além disso, instalou-se no comum do clubismo. É a disseminação da aversão à democracia, a imprecação contra o opinar livre. Dou como exemplo o constante oposicionista Carlos Barbosa da Cruz, um jurista que escreve no Record, quase sempre atacando a direcção. Bota ele hoje que escreve mas que “não pertence a tertúlias ou cenáculos, nem alimenta blogues“, ou seja, nem convive, nem janta, nem bloga – como se isso fosse quase mácula, e como se ele surja imaculado por se isentar de tal.. É notório, para este tipo, jurista ainda para mais, e que escreve num jornal nacional, que há alguma mácula no facto das pessoas se juntarem, conviverem, debaterem, opinarem livremente, e que escrevam e publiquem. Pois a palavra pública deverá ser resguardada, para monopólio de alguns, como ele-próprio, administrador de empresa de comunicação social e, como tal, publicável. Isto é a mentalidade daquele outro jurista, de má memória, o também dr. Silva Resende, aquele que no 1986 de Saltillo ainda achava que era o tempo da “outra senhora”. É esta mentalidade anti-democrática que grassa no mundo dos clubes – esses que foram ao tempo do Estado Novo um espaço peculiar de relativa democraticidade da vida associativa. E que tendem agora, em plena democracia, a acoitar e a potenciar, desde as suas bases mais virulentas (ditas claques ou não) até aos “doutores” de tiques senatoriais, esta mentalidade bafienta, até asquerosa. Pérfida.

Falar é bom, pensar antes de falar é melhor ainda. Debater, conversar. E depois há sanções para as prevaricações. As injúrias e as calúnias vão a tribunal. Outras atoardas são causa de sanções morais (aquilo que eu penso daquele Guerra, aquilo que eu penso daquele Oliveira e Costa). Mas isso em nada macula o quão óptimo é isto da gente se juntar com quem quer e falar do que quer. Sendo sempre criticáveis. E, por vezes, se prevaricarmos, sancionáveis. Como disse, moralmente (“aquele jpt é uma besta”) ou juridicamente (“vou meter aquele filhodamãe do jpt em tribunal”). Pelo que dissemos. Mas não por dizermos. E isto tem tanto a ver com o desporto (e o desporto-rei) como com o resto todo. Por isso mesmo o asco que tenho por estes “doutores” da treta que menosprezam quem se sente à vontade para jantar (em cenáculos), conversar (em tertúlias) e publicar (em blogs).

E agora? Que a equipa elimine o Porto. E que o Bruno continue a ter o belo desempenho de presidente executivo do Sporting. E, utópico que sou, que bote menos no FB. Pois se botar menos irá melhor.

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