Dizem(os) que é necessário ultrapassar os estereótipos. Mas eles são tão fundamentais para podermos pensar … Um dos que acarinho, qual farol, é este das blusas Madiba. Algumas são lindíssimas e, confesso, gostaria de ter o vibe para as usar. Mas não tenho nenhuma: quem me conhece sabe que nas coisas das vestes sou conservador, distraído, até desleixado (e quando só isto tende para o catastrófico). O que, na realidade, é também o reflexo da timidez – tenho lá eu cara para um três-peças ou corpito para um arco-íris destes? Enfim, entre a preguiça da escolha e a tal timidez nunca adquiri uma destas madibas (tal como nunca tive uma balalaica, essas que, política à parte, são óptimas de conforto e estética), e gosto eu tanto da memória de Mandela.
Mas não é só isso que me evitou o shocking madiba. Foi mais o estereótipo do white man in Africa. Post-colonial white man in Africa, se me faço entender. Europeus e americanos (“gringos” ou “hispânicos”) aquando em visita abaixo do Sahel embrulham-se nos tecidos arco-íris querendo-os nítida sinalização política, como se à saída dos aeroportos (dos hotéis, melhor dizendo) gritassem “irmãos camaradas”. É um folclore. Sentido, aliás, como tal por quem os vê assim passar.
Enfim, cada um como cada qual? Nem tanto. Estas encenações mostram um quadro mental. Indigente, por vezes. Racista, quase sempre. Cruzo o meu FB. Encontro um postal de um desses post-colonial white men. Que conheci em África há mais de uma década. Vinha ele e quem o acompanhava nestes propósitos. Antes de abrir(em) a boca já eu estereotipizava, claro está.
Diz ele o quê, agora, com a tal corneta do “irmãos camaradas” bem no seu âmago. Há tráfico de escravos na Líbia. A culpa é dos ocidentais, dos americanos acima de tudo, que invadiram o país.
Será preciso explicar o quão racista é a ladainha?