rui patricio

Talvez por alguns dos meus grandes amigos serem fotógrafos. Talvez por um deles ser mesmo um fotorepórter desportivo, actividade que desempenhou durante anos … talvez por isso mesmo me surpreenda, e angustie, isto. Sim, a gente sabe que a profissão fotógrafo capotou nos últimos anos – as milhares de milhões de pobres “imagens” avassalaram as algumas Fotografias que os oficiais do ofício sabiam manufacturar.

No campo do futebol, nos campos de futebol, idem. É ver os espectadores, em vez de seguirem o jogo, distraídos com os seus telefones a “filmarem” e “fotografarem” o jogo, produzindo um patético lixo cuja única inocência é não ocupar espaço físico.

Enfim, vem isto a propósito do Sporting-Juventus de anteontem. Aos 69 minutos, vindo lá do canto da baliza, Rui Patrício fez uma defesa extraordinária – não exactamente espectacular mas absolutamente extraordinária, no que mostrou de capacidade técnica de controlo do seu espaço próprio, a baliza e a pequena-área. Fica-me, aos meus 53 anos, como aquela defesa do meu ídolo de sempre, Vítor Damas, no estádio de Wembley ao serviço da selecção nacional.

Procuro no google uma fotografia dessa defesa, várias buscas. Nada encontro a não ser esta imagem televisiva. É possível que alguma haja, mas não a encontrando facilmente, com as tecnologias digitais de agora, mostra bem que a reportagem fotográfica está desmoralizada.

E sigo, no tom do envelhecido, com as saudades dos tempos de António Capela e Nuno Ferrari. Esses que, com outra tecnologia, teriam arrancado, e imortalizado, este voo de Rui Patrício. E assim teriam inundado capas e primeiras páginas de jornais de papel.

Anúncios

Um pensamento sobre “Requiem pelo fotojornalismo desportivo?

  1. Um leitor amigo enviou-me uma série de fotos, publicadas no Record, a mostrarem o “processo de defesa” – não as consigo colocar em comentário, parece-me que o sistema Sapo não permite fotos nos comentários. Não têm grande qualidade, são tiradas de longe, da baliza contrária, e não demonstram a grandiosidade da jogada – e são uma série, quase fotogramas de filmagem. O que também demonstra outra atitude fotográfica, esta digital, disparar constantemente, “a ver se” se apanha o significante. Bem diverso do acto fotográfico analógico, como é óbvio,pois o filme não era infinito. (E julgo que a velocidade dos “disparos” era menor)

    Gostar

Diga de sua justiça, sff

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s