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Quinta-feira passada, já a noite começara, cheguei ao aeroporto de Nampula. Apanhei um táxi e telefonei ao amigo que me era anfitrião, que me explicasse ele o destino. Despercebi-lhe a exactidão e fiquei nas cercanias e, mera mochila nas costas, cruzei duas ou três perpendiculares até ao nosso reencontro. Algum tempo depois percebi que esquecera o telefone – o ultrasónico iphone que mão querida me havia ofertado – no táxi. Telefonou-se para o número, sem resposta de início. E, depois, sem sinal. Resmunguei-me a senilidade, chorei o dinheiro necessário à reposição. No dia seguinte madruguei e segui à Ilha de Moçambique. Ontem regressei. Chegado ao aeroporto, e apenas por descargo de consciência pois sem qualquer esperança, pergunto aos taxistas se sabiam de algum telefone perdido num dos seus colegas. “É você!? Sim, sim. Ele disse que era de um branco com uma pasta”, pois passara palavra entre os seus do acontecido. Logo lhe telefonaram, e quinze minutos depois lá estava, com ar um pouco aliviado mas mais até contente. Que regressara até à casa junto à qual eu ficara, mas onde me desconheciam, que tentara telefonar mas, claro, desconhecia o código do telefone. Que estava preocupado comigo.

A gente envelhece e descrê nos outros, torna-se cínico. Depois encontra um tipo como o senhor Moti (ou Mote, que isto da pronúncia macua sempre me conduz ao erro gráfico), dos táxis da Praça do Aeroporto de Nampula (estão identificados), e rejuvenesce. Obrigado Moti, pelo aparelho. E pela recrença.

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