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No rossio português são patéticas as reacções à manifestação patriótica de ontem em Barcelona. O que é engraçado é que o independentismo catalão nem tem um ideário de “esquerda” nem é encabeçado por uma “esquerda” visceral. É um compósito nacionalista mas encantou a esquerda lusa, algo trôpega, apenas capaz de ver no real a caderneta de cromos que ambicionou na tenra infância. É uma transferência para uma realidade imaginada.

Algumas ditos são absolutamente patetas, outros chegam-se à abjecção. Alguns “denunciam” a centena de autocarros com não catalães que se dirigiram para Barcelona – coisa a que nós estamos habituados, com as camionetas alugadas por câmaras, e não só, para alimentarem de munícipes próprios as manifestações da “cor certa” em concelho alheio; outros vociferam contra os números exagerados de manifestantes apontados pela organização – como se isso, não aconteça também aqui, e sempre, em qualquer “Que se lixe a troika” ou “1º de Maio”; outros, e muitos – até escritores, que asco – vociferam contra a obra de Vargas Llosa, apenas porque ele discursou, tal e qual o “nunca li e não gosto” dedicado a Saramago por trogloditas lusos.

O FB português de hoje é um desfile tétrico, de inanidades. (Os tempos mudam, na era bloguista a gente “linkava” o que pontapeava, forma de avisar da canelada e de mostrar a quem se pontapeava, agora fica assim, no ar, um encolher de ombros). Mas a este propósito, desta reacção alargada em Portugal aos acontecimentos catalães, deixo aqui um desabafo que meti há dias no meu mural FB. Porque ainda mais actual, depois deste bramir colectivo de “shrekismo”:

A história ao repetir-se é uma farsa, disse em XIX um evolucionista alemão. O inglês Farage, o holandês Wilders, a AfD alemã, o partido da liberdade (que nome!) austríaco aplaudem. Consta que o imperialismo russo saúda. Do Piemonte ainda não chegaram notícias (“espera-pouco” sussurra-me a amiga experiência). Outros, (ditos “neo”/”pós”) marxistas exultam, (de)capados de um tal de “internacionalismo” que lhes animou os egrégios avós. Diante disto, que são os que se arrepelam com a urgência, objectivos, metodologia e, acima de tudo, pertinência da cena? “Sociais-fascistas“, com toda certeza. Uma farsa. Mas que será tragédia, se for deixada em cena.

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