a-excelente-papaia

Há exactamente três anos, cumprem-se hoje, mais ou menos a esta hora depois de jantar, parti de vez de Moçambique, depois de 18 anos. Botei isto antes de sair no blog ma-schamba, onde escrevia então. Às vezes, só às vezes, nada saudosista, lembro-me da maldita papaia. Porque ainda não a consegui engolir. Um dia destes tenho que me fazer operar, a ver se algum cirurgião a consegue arrancar.

A papaia (8.9.14)

Almoço no Marítimo, com casal amigo, a Carolina encontra amigas, é nosso último Índico, hoje particularmente revolto, “os espíritos zangam-se com a minha partida“, brinca este ateu. No telemóvel vejo que no facebook um leitor daqui (um tipo insensível? insensato? ou só inexperiente da vida?) me pergunta qualquer coisa como “como se sente ao partir de onde foi feliz?“.

Sorrio, já com o Jameson na mão. Não sou o Knopfli, o Kok já morreu [Kok Nam, o fotógrafo, baixa a Nikon / e olha-me obliquamente nos olhos: Não voltas mais? Digo-lhe só que não, escreveu o poeta narrando-se em Mavalane aquando da sua saída, naquele para sempre de 1975], e aos meus Koks não os deixo ir ao aeroporto. Além de que os tempos são diferentes, daí as causas do partir e as possibilidades do ir-e-vir. E por isso nada de grande ou profundo me ocorre ripostar.

Apetece-me responder-lhe apenas assim, à minha despoética maneira: sinto-me com uma papaia na garganta, foda-se.

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