ser_fascista_single_0001.jpg
(o fado “Ser Fascista” ouve-se aqui)

A propósito deste texto, “Liberdade de Expressão?“, de Bacelar de Vasconcelos.

Bacelar de Vasconcelos ficou conhecido nos 90s por se ter portado condignamente como governador civil de Braga, enfrentando uma perseguição a cidadãos ciganos. Dele depois só ouvi falar quando o governo PS de então o retirou desse posto ( que talvez se lhe tivesse tornado difícil) e o recompensou enviando-o para chefiar uma missão internacional multilateral (difícil, muito difícil) no então Zaire, e porque andava essa organização à procura de um português com tarimba de missões internacionais e experiência de Àfrica actual e “profunda” que o secundasse, tamanha a óbvia desadequação do seu perfil. Que fique claro, depois não soube como veio a cumprir o posto, lá em Moçambique nunca mais tive informações, espero que tenha corrido bem. É um apparatchik, mas nem todos destes são incompetentes e incapazes de golpes de asa. Se não me engano depois terá estado em Timor, autêntica sede da cooperação portuguesa no início de XXI (e onde também sei que se procuravam portugueses com experiência de terreno para secundarem as figuras gradas do regime que para lá iam “coordenar”). Enfim, “apesar de tudo” (como se diz em francês), dele tinha uma boa imagem, a memória daquela compostura naquela era pós-cavaquista em terras do cónego Melo. Agora envelheceu, como todos, é deputado, descubro-o, e professor de Direito Constitucional. E continua apparatchik, mostra-o neste texto vil.

Após o 25 de Abril, por razões conjunturais mas também (in)culturais, quase todos os que não eram declaradamente marxistas eram ditos “fascistas”, e vejam-se as declarações de então em prol da “sociedade socialista” dos líderes do PPD, esse que até mudou de nome para “social-democrata” também para sacudir o poluente epíteto. Foi o democrático PS que barrou e varreu esta “fascistização” dos sectores políticos não m-l. Nesse esforço lembro-me de um corajoso discurso de Zenha, talvez no Pavilhão dos Desportos, contra a “unicidade sindical”, momento simbólico da construção democrática.

40 anos depois, num contexto muito mais pacificado, o tacticismo de Costa e a cega fidelidade do aparelhismo (e do tétrico “adeptismo”) promovem esta flutuação cultural. Um ambiente em que um professor de direito constitucional produz um texto destes: aqueles que estão contra uma excessiva instrução estatal (diante dos poderes reais em causa uma “recomendação” transforma-se numa ordem), advinda de uma concepção demasiado alargada da tutela estatal, são associados explicitamente ao eixo Trump-KKK-“minoria branca, europeia, cristã” xenófoba, reclamando os “privilégios herdados da escravatura e do colonialismo“. Ou seja, como antes se disse, “fascistas”. Este texto, de um constitucionalista (!), é um exemplo-mor da deriva actual do aparelhismo socialista e de tanta gente em seu torno. E mais do que vil é paupérrimo. Estamos mal, entre a extrema-direita europeia, os trumpianos, o temerismo, e este Can-Can local, estamos mesmo mal. “Há-de” piorar …

Uma adenda: na tomada de posse do PR Rebelo de Sousa, o presidente da Assembleia da República, Ferro Rodrigues, discursou e fez uma linear correlação entre patriotismo e colonialismo. Ninguém no PS, nenhum seu deputado, muito menos Bacelar de Vasconcelos considerou a necessidade de, pelo menos matizar, ou contextualizar (encapotar) o dito. E agora tem a impudicícia de vir chamar os outros de escravistas e colonialistas. É abjecto.

Anúncios

Diga de sua justiça, sff

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s