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António Cabrita escreve sobre o congresso lisboeta ocorrido na passada semana, dedicado a João Paulo Borges Coelho, escritor moçambicano. Com a sua costela de jornalista nota ele: “É uma vergonha haver um escritor do calibre de Borges Coelho (muito resolutamente um dos melhores no espaço da língua portuguesa) que é contemplado com um congresso internacional – com gente que vinha de Moçambique, Brasil e Estados Unidos [e também, pelo menos, da Alemanha, Angola, Espanha, Itália, Polónia, acrescento eu, jpt] –, e não haver espaço nos jornais para uma notícia, não se ter deslocado um único jornalista para cobrir e divulgar o acontecimento.”.

Eu, que não sou jornalista, noto isso mas noto mais. Borges Coelho é um excelente escritor mas é também um historiador emérito e um vulto fundamental na investigação sobre segurança marítima e as questões políticas do Índico actual. É, na velha acepção do termo, um grande intelectual. É um tétrico sinal de moribundismo local, nacional, muito pior do que mera “vergonha”, que não houvesse alguém presente, pois interessado, vindo das áreas da antropologia, da sociologia, da história (da história de África e não só), das relações internacionais, e etc “e tal”, nem mesmo desses híbridos “estudos africanos” (já para não falar do chamado Camões – Instituto de Cooperação, que desses pouco se pode esperar). E é certo que depois todas essas corporações enchem textos a que chamam papers com referências a algo que dizem “interdisciplinaridade”. Mas para irem ali ao Campo Grande, interdisciplinarem, já lhes falta o arreganho … Um tipo nota isso e há sempre um qualquer boçal, funcionário público da academia, que vem dizer que são afirmações de “ressabiado”, “invejoso” ou “ressentido” (o mais abjecto e básico dos psicologismos, pensamento de cloaca que estes graduados não têm vergonha de publicar, explicitando a indigência própria). Eu notei e referi esta absurda ausência e “explicaram-me” que “ah, sabes, esta altura é de férias, é natural que não apareçam“. Mas de facto as férias são 22 dias úteis, a maioria goza-as em Agosto. Quem está de férias são os alunos, as avaliações terão (na sua maioria) terminado. Deveria ser o melhor momento para fazer encontros, seminários, etc. Mas não é.

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