bones
(ossos cambodjanos, memorial)

Quando fui em 1994 durante uns (gloriosos) meses para a África do Sul como observador eleitoral apanhei um punhado de gente que vinha das longas missões das Nações Unidas no Cambodja (o tão british tanzaniano Fidelis, um vero príncipe, o ruivo irlandês irlandês Brian, “já bebi o suficiente na vida”, tão assumido (des)acompanhava ele as nossas apneias naquela ambiente supra-aquecido, a maravilhosa francesa Marie-Vi, entre outros). As conversas sobre o Cambodja, seu processo, eram sempre e intensas (“levei ano e meio até voltar a pisar relva“, disse-me alguém que bem lembro, tamanha a angústia que lhe ficara com as minas), a demência polpotista, esse cúmulo da deriva marxista, constante assunto entre steaks, castles e famous grouses, gente marcada até à medula com o testemunho, refractado, da última diabólica comunistice de XX. Lembro-me disso quando vejo agora no facebook tanta gente (até velhos bloguistas de teclados habitualmente conscientes) a participar e partilhar desses “testes” (quizz, no português imbecil) “que comunista famoso você é?“, a brincaram ao comunismo, a abjecta “naturalização” do mal, a perversa banalização do mal de que a filósofa falou. “Eu sou o Lenine”, “eu sou o Estaline”, “eu sou o Che”, “eu sou o Pol Pot”, arrotam, peidam a la Sobral, os compatriotas … E acham que têm piada! Se eu pusesse aqui “eu sou o Heydrich” ou similar vil imbecilidade até eles me cairiam em cima. Estamos, nós portugueses, tramados no meio desta paisagem humana.

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