Hommage à Chalanix

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hoje, no seu sexagésimo aniversário.

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José Nuno Martins e a Besta Negra

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José Nuno Martins chamou “besta negra” ao Jorge Andrade e caiu o Carmo e a Trindade. O Jorge Andrade, que eu saiba, não reagiu ao dichote mas já reconheceu que se havia “esticado”. Ele foi um extraordinário jogador, um magnífico defesa-central (muito prejudicado por lesões) e é um homem simpaticíssimo e muito bem-disposto. E “esticou-se” porque disse na tv que ao miúdo-maravilha que por ora desponta no Benfica ele “daria um pisão”, para o amansar em campo. Sejamos francos, é o que os gajos da bola fazem. E é o que os gajos da bola falam. Mas não em público, claro, que a compostura e o respeitinho são muito apreciados. Faltou ao Jorge Andrade mudar de registo (de “chip” diz-se agora), ali no estúdio da tv. E, francamente, para quem gosta de futebol, para além dos clubes, este miúdo, que dá pela graça de João Félix, é um regalo, o franzino reguila artista, o tipo de jogador que nós povo adoramos: guardem lá os “pisões” para outros morcões …

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O meu irmão

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(Postal para o Delito de Opinião)

(Patrícia Reis fala de violência doméstica e do femicídio.  E lembra-me uma história da minha meninice.)

Eu tenho 4 ou 5 anos, não sei bem, é cerca de 1969 mas não me acordaram ou acordarão para ver Armstrong dar o pequeno passo, e por isso já estou amuado com os meus pais e assim continuarei no próximo meio século. Estou doente, ouvi que tenho uma coisa no rim, pois aparece-me sangue no xixi, acho que há meses que não vou à escola, as minhas avós revezam-se a acompanhar-me, ainda que cá em casa haja várias empregadas (chamar-se-ão assim no futuro, quando eu entrar no liceu, que agora dizemos criadas) e ama. Se calhar não são meses, julgo que pensarei isso no futuro, mas agora tenho a certeza que estou doente há imenso tempo. Hoje é sexta-feira, e, como não posso ir brincar para a rua, estou na varanda deste rés-do-chão a ver os amigos ali mesmo defronte, numa rua como se pátio deste nossos Olivais, a Cabinda. As criadas estão comigo, atraídas pelo barulho, a gritaria. Pois um pouco abaixo, junto à rua, uma porteira está a ser espancada pelo marido, um bêbedo, dizem enquanto entre elas espreito. Ele bate-lhe, ela está no chão e grita. Às portas da mercearia, da farmácia, do café e às dos prédios está gente a ver o que se passa, e também às janelas das casas chegaram curiosos.

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Os livros de João Paulo Borges Coelho

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Quem me vai lendo os blogs saberá do meu apreço pela ficção de João Paulo Borges Coelho. Pelo prazer enorme que me dá ler os livros. Mas também porque o olhar que ele tem sobre Moçambique muito me ilumina, mostra-me o país.

Já escrevi e falei sobre isso. Agora dei forma final a um texto que explica porque uso aqueles livros como a minha bengala para entender o “do Zumbo às águas do Índico, do Rovuma ao Maputo”. Está aqui, para quem tiver paciência e interesse: “O programa ficcional de João Paulo Borges Coelho.” (basta clicar no título que se aportará no texto)

Ba e a polícia

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Ba disse que a polícia é uma “bosta” (nota: “bosta” é um termo canónico). Muita gente indigna-se, pois Ba é do BE e não deveria dizer isso. Torço o nariz. Não sei se ele tem razão na interpretação do caso que causou as declarações – pelo que se vê nas curtas imagens, feitas pela vizinhança, é um típico caso de “porrada no beco”, com os cidadãos a investirem contra os polícias ali convocados para sanarem a situação. E estes a responderem. E daquele pouco que tenho lido de Ba e seus correligionários – alguns deles demagogos com palco usual no jornal “Público” e galões universitários – acho aquele discurso histriónico e sob uma ideologia execrável: são racialistas, e no caso dos académicos a adesão a essa ideologia é uma estratégia de obtenção de recursos, económicos e estatutários. Mas isso são contas de outros rosários.

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Viva o treinador adjunto do Porto

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(Postal de ontem para o És a Nossa Fé, blog sportinguista)

Diamantino Figueiredo, treinador adjunto de Sérgio Conceição (é o Nelson deles) tentou agredir adepto(s) com a medalha recebida no final do jogo (filme aqui).

Toda a cena me lembrou a final da Taça de 2018. Sabe-se o ambiente tétrico em que o Sporting foi jogar, não o descrevo. No final do jogo a equipa subiu à tribuna para receber as medalhas de finalistas vencidos. As imagens televisivas chocaram-me imenso: hordas de adeptos sportinguistas juntos à escadaria do Jamor insultavam os jogadores (e técnicos). Não foi só o vociferar insano que me espantou, foi o fel, o desespero daquela gente por uma mera derrota de futebol, ainda para mais tida naquele surreal contexto pós-Alcochete. Um desespero ululante de uma merda de gente que leva uma vida de merda e que na merda de intelecto que tem ainda sim pressente, de modo difuso, a merda que é e a merda que vive. E que uiva essa verdadeira desgraça – desgraçados desengraçados que são – nos campos da bola.

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Escravismo e actualidade

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Tenho andado arredio disto do bloguismo. Escrevo outras coisas, menos ligeiras. Caso alguém tenha interesse (e paciência) coloquei agora na minha página da rede Academia.edu um texto que acabo de concluir: José Capela e a violência estruturante: o escravismo em Moçambique e a sociedade actual.

Se alguém o ler e me quiser enviar comentário ou crítica muito agradecerei.

Estudantes de Bruxelas e Alterações Climáticas

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Há dois meses aqui botei um texto sobre uma manifestação em Bruxelas, cerca de 300 estudantes liceais a reclamarem mais e melhores políticas de protecção ambiental. Fi-lo com esperança, a de que a nova geração possa movimentar-se obrigando a algumas necessárias e urgentes alterações nas práticas produtivas e consumistas. (E fi-lo com orgulho, vendo a minha filha integrar-se activamente numa acção cívica. Ainda para mais porque me enviou uma bela fotografia que lhe fizeram durante a manifestação, que usei, pai babado, no postal. Tal como usei um trecho do belo texto que ela escreveu para aquele movimento).

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